- Ano I - nº 9 - Agosto de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

LEITURA CORPORAL - Osiris Costeira.

A doença como sintoma: doenças urinárias.

Os rins, os testículos/ovários e os pulmões representam um grupo muito especial de órgãos do corpo humano, não só pela sua importância fisiológica na manutenção da vida, mas, também, pela sua simbologia e representatividade no mundo vibracional e holístico. Eles são órgãos duplos, e a duplicidade de órgãos fala de relacionamento humano, interação do interno e externo, e da dualidade ou polaridade de tudo que tem vida. Todos eles representam um aspecto da relação que o homem faz com a duplicidade.

A filosofia da antiga China, precursora da Medicina Tradicional Chinesa e da Acupuntura, estabelecia, há milênios, alguns aspectos que ainda perduram nos dias de hoje, sendo cada vez mais aceitos e entendidos como verdades e extrapolados para vários outros ângulos do pensamento humano atual. Uma das primeiras e mais importantes imagens filosóficas é aquela em que os seres humanos representam um microcosmo dentro de um macrocosmo universal; conseqüentemente se refletindo nos relacionamentos universais do fluxo energético. E do conceito básico de fluxo de energia nasce a figura de ch’i ou qi, uma espécie de energia, com função nutritiva e de organização celular, que supera as contribuições energéticas do alimento ingerido e do ar. O ch’i é uma espécie de energia sutil que impregna o nosso ambiente. Nos textos hindus, posteriormente, foi chamado de prana. A energia ch’i, absorvida pelo corpo humano através da pele, flui pelos doze pares principais de meridianos proporcionando ao organismo a energia vital, mantenedora da vida.

Em decorrência desses conceitos, nasce outro pilar da filosofia chinesa que é a idéia da polaridade energética, expressa pelo yin e pelo yang, em sendo o yin feminino e o yang masculino. Deles, derivam todas as dualidades existentes e mantenedoras da vida, desde o dia e a noite, o Sol e a Lua, o direito e o esquerdo, e todos os opostos energéticos existentes inclusive o homem e a mulher. No caso da individualidade humana, o feminino e o masculino compõem a estruturação do nosso interno ou do Eu, fazendo com que a nossa essência seja parte mulher e parte homem. Energeticamente o ser humano é andrógino, que se manifesta e se exterioriza através de uma sexualidade feminina ou masculina, dependendo de seu fenótipo e de seu genótipo, previamente escolhidos pelas determinações kármicas. Portanto, antes de entender-se as relações exteriorizadas do homem para com a mulher, e vice-versa, é preciso lembrar que as dificuldades que possamos ter com os parceiros são reflexos, em espelho, das dificuldades que temos com a feminilidade ou com a masculinidade de nós mesmos, de nosso interno, da nossa essência.

Os rins são dois pequenos órgãos avermelhados, com a forma aproximada de um feijão e pesando entorno de 150g, localizados de um lado e do outro da coluna vertebral na chamada “loja renal”, atrás do peritônio. Sua função principal é a de filtragem do sangue, ao reconhecer quais substâncias são benéficas ao organismo e podem ser usadas, e quais são resíduos tóxicos, e, portanto, venenosas, que precisam ser eliminadas. Um dos mecanismos utilizados para filtragem do sangue é a existência de poros, que têm o diâmetro necessário para reter determinados tamanhos de moléculas, inclusive as menores proteínas como a albumina, e permitir o escoamento de outras partículas.

A patologia urinária, predominantemente a renal, fala do envolvimento em conflito com os parceiros, não necessariamente de parceria sexual, mas também parceria de vida e sobrevivência de vida com as demais pessoas de seu grupo. E neste aspecto sobressai uma interessante relação entre os órgãos pares e suas formas de envolvimento. Os rins, os testículos/ovários e os pulmões representam três tipos de envolvimentos importantes para os seres humanos, pois falam de graus de relação cada vez mais abrangentes. A parceria (rins), a associação amorosa (testículos/ovários) e o contacto irrestrito (pulmões) simbolizariam as três formas de amor que o ser humano está capacitado a sentir: a amizade, o amor sexual e o amor universal.

A parceria homem e mulher, numa visão de relacionamento harmônico e afetuoso, requer uma interação de afeto e valoração, mútuo e recíproco, em que cada um, do mesmo modo que ama, respeita e valora. E isso requer uma seleção absolutamente cônscia de seus direitos e deveres. A partir daí, todos, os que se relacionam com afeto, sabem o que lhes é devido na relação. Em não sendo assim, em não reconhecendo as suas responsabilidades, as suas “culpas”, não aceitando como seus os problemas inerentes à sua figura, em não vivenciando a sua posição no cenário que você próprio construiu de sua vida, se você não se manifestar o seu corpo falará em seu nome. E nele, falarão mais alto os rins, responsáveis pela somatização dos conflitos conjugais e de todas as formas de relação afetuosa. Da mesma forma que estamos depreciando a capacidade de filtrar as nossas responsabilidades, o filtro renal reage da mesma maneira quando os poros não filtram o que têm que filtrar, principalmente as moléculas de proteínas, como a albumina, e a de sais minerais importantes na manutenção da homeostase. É o campo propício para a instalação de uma glomerulonefrite. Pelo menos numa etiopatogenia simbólica. Mas, absolutamente, inteligível. Além de inteligente.

As doenças urinárias não são exclusivamente renais. Podem, inclusive, se iniciar nos rins, mas as suas manifestações clínicas também se exteriorizam em outras partes do aparelho urinário. O exemplo clássico é a litíase renal ou cálculo renal, predominantemente sentido e dolorosamente vivido quando de sua passagem pelos ureteres. Eles acontecem como resultado da sedimentação e da cristalização de determinadas substâncias presentes na urina em quantidades excessivas, como o ácido úrico e os fosfato/óxido de cálcio, além de alguns aspectos ambientais e da quantidade de líquido, água, ingerido normalmente. Simbolicamente, através da leitura corporal, entende-se que a pedra bloqueadora é feita de substâncias que, fundamentalmente, teriam que ser expelidas por não contribuírem mais para o desenvolvimento do organismo. Ela corresponde a um acúmulo de assuntos que já deveriam ter sido solucionados há tempos, visto não serem úteis à nossa evolução. Quando nos apegamos a assuntos sem importância ou ultrapassados, eles bloqueiam a corrente do desenvolvimento e ocasionam uma estagnação. Produzem cálculos renais. O interessante é que, estatisticamente, os homens são mais propensos a cálculos renais do que as mulheres, talvez “porque os homens não sabem lidar tão bem com os temas ligados à harmonia e a união conjugal quanto às mulheres, que se sentem em seu elemento natural no que se refere a tal questão”, esclarecem DETHLEFSEN Y DAHLKE. Contudo, o ápice da problemática renal se evidencia quando as suas funções cessam totalmente, e uma máquina - metálica, desalmada e amorfa - um rim artificial assume as suas funções de purificador. Quando não se confia, por medo, no companheiro/parceiro, em que ninguém é perfeito para as suas necessidades de confiabilidade e proteção, o artificial, como os novos rins, torna-se o ideal por não ter vontade própria e nem a obrigação de ser fiel e confiável. Ele é e faz absolutamente o que se espera dele. Nem mais nem menos.

A bexiga, reservatório em que todas as substâncias expelidas pelos rins, como a urina, esperam a oportunidade para sair do corpo, também tem as suas simbologias. Ela representa, na materialização de nossa vida emocional, toda a capacidade de relaxamento e domínio tensional, e, indiretamente, de exercer o seu direito ao poder e ao mando. Além de pólipos, abscessos e tumores, a bexiga é lembrada, principalmente, na infância, pela enurese noturna. Nessa fase, após ser submetida durante todo um dia à tensão dos pais e na escola, sem que possa descontrair-se ou defender-se, a enurese noturna resolve vários problemas de uma só vez. Porque, não só o relaxamento advindo com o repouso do sono mas, fundamentalmente, com o ato agressivo e “preocupante” aos pais, geralmente prepotentes e incapazes de entender o mundo infantil e as suas necessidades básicas. Extremamente simples.

Bexiga é sinônimo de relaxamento, e toda a dificuldade de micção, por dor ou por repetição e excesso, representa a incapacidade de o indivíduo comandar o seu próprio relaxamento. Sua vida é tensa e estressada. Ele tem que estar sempre atento e com as “antenas ligadas” senão as coisas não serão como quer, e como precisam ser. Faz lembrar a frase de Baden Power, o chefe-escoteiro: “Sempre alerta na manutenção da vida, mas, também, pela sua rica simbologia e representatividade”.

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