- Ano I - nº 10 - Setembro de 2007.                                                                           Direção: Osiris Costeira

LEITURA CORPORAL - Osiris Costeira.

A doença como sintoma: doenças articulares.

Articulação é a junção de, pelo menos, dois ossos com a finalidade de, na maioria das vezes, promover um determinado movimento. Consequentemente, para a fisiologia e para a representatividade simbólica, articulação é sinônimo de movimento. E, com isso, articulação enrijecida determina movimento dificultoso, até o ponto em que, dependendo da rigidez articular, se atinge a imobilidade. Apesar de a medicina clássica classificar as artropatias como portadoras de quadros inflamatórios, em seus diversos graus, para a leitura corporal apenas demonstra que o paciente se “enrijeceu” diante de alguma coisa.

A vida, em seu dia-a-dia de trabalho e de buscas por conquistas pessoais, além das condições básicas para a sua sobrevivência, necessita de uma capacidade especial para ser vivida, ou bem vivida. Essa capacidade é um misto de cultura, inteligência, coragem, oportunidades não desperdiçadas e, principalmente, saber retroceder/avançar nas suas buscas em função das condições do momento. E retroceder/avançar significa concordar, acordar, compartilhar, dividir, ter flexibilidade, ou aquilo que o refrão popular chama de “jogo de cintura”. Tudo aquilo que os portadores de doenças articulares não têm. O enrijecimento de articulações, que dificulta os seus movimentos e as suas conquistas, apenas exteriorizam a rigidez da sua personalidade, com a necessária imutabilidade das coisas em sua volta ou sob o seu comando. Nada pode ou deve ser mudado. Muito menos ele.

Toda rigidez de conduta fala de onipotência, arrogância, de comando e endeusamento, de não “abrir mão” de nada, inclusive da própria infalibilidade. E essas qualificações se enquadram, e muito, em determinado grupo de pessoas que primam por apresentá-las quase como qualificativos e não como aspectos restritivos a serem, quem sabe um dia, modificados ou abrandados: os idosos. Não é por acaso que a velhice se caracteriza por dois aspectos sistêmicos, artropatia (rigidez personológica) e cardiopatia hipertensiva (desejo de voltar a mandar); e dois sensitivos, patologias visual e auditiva (se nega a ver e a ouvir a realidade da vida). A artrose, como representante mais comum desse grupo de artropatias, é apanágio da velhice que não soube envelhecer, que não soube aproveitar os valores mutáveis da vida e saboreá-los, diferentemente, a cada tempo; que não soube aproveitar a experiência dos anos, a sua própria experiência, para entender que a vida vai muito além do que alcança os seus trôpegos passos ou o que agarra as suas trêmulas mãos enrijecidas e frias.

Lamentavelmente, a patologia articular não é exclusiva dos idosos, pois, além das artroses degenerativas, há as diversas formas de artrite, inclusive a reumatóide, que são encontradiças em todas as idades. Vale destacar, não apenas em termos de artrite, mas como de transtornos de um modo geral, as patologias do joelho e de seu correspondente o cotovelo. E isso pelo simbolismo desta articulação que representa, fundamentalmente, a fé na autoconfiança, e o genuflexo à humildade do indivíduo perante suas conquistas materiais. A patologia do joelho, artrítica ou não, é um aviso do Eu interno e da própria essência de que os padrões de sua autoconfiança precisam ser revistos, e que sua arrogância e falta de humildade podem estar prejudicando a sua qualidade de vida. A doença não é um castigo, e sim um direcionamento para ser repensado e seguido, com consciência e determinação.

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