- Ano VI - nº 2 (71) - Março / Abril / Maio de 2015.                                             Direção: Osiris Costeira

MEDICINA TRADICIONAL CHINESA - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

Terapêuticas: Feng-Shui / I-Ching

 

FENG-SHUI - A tradução literal do termo chinês Feng Shui é “vento” (feng) e “água” (shui), dois dos elementos mais essenciais para a vida humana, e a sua pronúncia em mandarim é “fon xuei”.

É conceituado como a ciência e a arte de organizar construções, objetos, espaços e a vida, desbloqueando os caminhos físico, emocional e espiritual, para que o CHI, ou a grande energia criadora, possa fluir livremente promovendo o equilíbrio, e, em consequência, a harmonia e a paz.

Tanto a Índia quanto a China reivindicam as origens do Feng Shui. Descobertas arqueológicas evidenciaram que há cerca de cinco mil e quinhentos anos místicos indianos praticavam os princípios do chamado “vastu shastra”, traduzido literalmente como “ciência das construções”, baseado na premissa de que toda a construção é um organismo vivo com sua própria energia.

Há três mil anos esses praticantes indianos de vastu, geralmente monges, atravessaram o Tibet e foram até a China. Estes, adotaram os princípios do vastu com algumas adaptações, que se transformaram nas várias escolas de Feng Shui.

Atualmente, as principais escolas são as Escolas da Forma, da Bússola e a do Chapéu Preto. A Escola da Forma, às vezes denominada de Feng Shui clássico, se originou na parte Sul da China, se adequando à topografia e às formações de água desta região.

Montanhosa por excelência, as montanhas funcionavam como quebra-ventos naturais, e a água doce era essencial para a sobrevivência de todos.

A Escola da Bússola, do Norte da China, é baseada na orientação de uma bússola magnética, além da relação da Terra com as estações do ano, as estrelas e os planetas, principalmente por razões práticas, visto que o terreno no Norte da China é muito mais plano do que no Sul, requerendo, consequentemente, outros princípios e parâmetros.

E, o Chapéu Preto, na realidade “Seita do Chapéu Preto do Budismo Tântrico Tibetano”, fundada na década de 80 do século passado pelo Mestre Budista Tibetano Lin Yun, utiliza, além da intuição, um mapa octogonal, conhecido como “ba-guá”.

 

Os profissionais que hoje se utilizam da técnica do ba-guá o colocam sobre um cômodo da construção, alinhando a parte inferior do mapa (cor preta) com a parede de entrada, permitindo que ele próprio, através de suas oito direções,  determine a disposição a ser sugerida para os diversos cômodos e os objetos que devem contem.

A utilização do ba-guá é feita em associação a um pequeno quadro de  9 quadrados (3 horizontais e 3 verticais) denominado “Quadrado de Lo Shu”, cuja forma mais antiga aparece no Livro das Mutações, da dinastia Han (206 aC – 220 dC). 

Os números do Quadrado de Lo Shu somam 15 na vertical, horizontal e diagonal. Este é o mesmo número de dias em um ciclo lunar, e é por esta razão que a maior parte do Feng Shui tem as suas raízes na Astrologia chinesa.

 

A tabela do ba-guá conecta os elementos ao Quadrado de Lo Shu, em que as linhas correspondem ao sistema binário da matemática, o mesmo sistema usado nos computadores.

O Yang é representado por uma linha inteira e o Yin por uma linha quebrada. As cores também são associadas ao ba-guá, mas variam de acordo com o profissional. Contudo, a cor amarela aparece sempre no quadrado central. 

Os símbolos que representam os quadrados são chamados de trigramas, e esses oito se multiplicam para formar os 64 hexagramas que aparecem de forma destacada nos cálculos matemáticos do Feng Shui, com base em forma científica.

 

 

Temos relações estreitas e profundas com o ambiente em que vivemos. Este nos afeta constantemente, da mesma forma que nós, ao mesmo tempo, estamos deixando a nossa marca em tudo que nos cerca. A compreensão dessa relação é a base desta antiga arte/ciência chinesa.

Por isso, um médico chinês entendia que se uma pessoa tem algum problema isso foi gerado por alguma razão ou desequilíbrio. Assim, ele ia até a casa do paciente olhar o que poderia estar errado e gerando desarmonia, conseguindo, desse modo, tanto o seu diagnóstico quanto o tratamento a ser proposto.

 

I CHING - Segundo a definição, muito apropriada, de Patricya Travassos, em seu “Alternativas de A a Z”  (Aeroplano-SENAC, Rio de Janeiro, 2003),  “É o livro mais antigo da humanidade. Pode-se dizer que ele contém o texto antes do texto, ou o “arquitexto”, porque foi escrito numa época em que não havia escritura na China.”

A mais importante tradução deste texto milenar está em “I Ching, o livro das mutações”, de 1923, traduzido por Richard Wilhelm para o alemão e prefaciado por C.G.Young.

Wilhelm traduziu o I Ching ao longo dos anos em que viveu na China, inclusive durante e invasão japonesa, quando a cidade em que estava foi cercada. Teve o apoio de um velho e sábio mestre, Lao Nai Hsuan, que morreu após ser concluída a tradução.

Em 1982 apareceu a tradução em português feita por Alayde Mutzenbecher e Gustavo Alberto Correia Pinto, pela Editora Pensamento.

 

 

I Ching - O Livro das Mutações

E o próprio Correa Pinto esclarece, no Prefácio, “O que hoje conhecemos com o nome de I Ching, o Livro das Mutações, surgiu no período anterior à dinastia Chou (1150-249 aC), com figuras lineares, compostas de linhas inteiras e linhas interrompidas, superpostas em conjuntos de três e  seis linhas, chamados “kua” (signo). "

James Legge, em sua tradução do I Ching (The Secred Books of the East, XVI: The Yi King, Oxford, 1882) cunhou os termos “trigrama” e “hexagrama” para designar os “kua” compostos por, respectivamente, três e seis linhas. Nessas figuras lineares estavam as sementes da cultura, de extraordinária complexidade e riqueza, que, ao longo dos milênios seguintes, viria a se desenvolver na China. A sabedoria contida nos “kua” veio a exercer uma influlência decisiva nos rumos futuros da civilização chinesa.

Na realidade, I Ching é formado por 64 figuras (8x8) de seis linhas (hexagramas), compostas de linhas inteiras e de linhas interrompidas, superpostas em conjuntos de três linhas (trigramas), e consulta-se com o auxílio de varetas ou moedas.

Nele estão contidos símbolos que representam todas as relações existentes entre o Céu, o Homem e a Terra. Abrangente e profundo em sua abordagem, inclui princípios cósmicos do Universo, filosofia, matemática, geometria, astrologia, geografia, geomancia, medicina, música, estratégia militar, artes marciais, arquitetura, política e religião.

 

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