- Ano V - nº 5 (45) - Abril de 2011.                                                                 Direção: Osiris Costeira

PSICOSSOMÁTICA - Iára Vieira - iarasovieira@gmail.com

UMA QUESTÃO DO AFETO

 

A Psicossomática é um enfoque terapêutico que trata o paciente como um ser único, um único sistema, um ser histórico, construído através de três pilares de suma importância: seu corpo, sua mente e o meio social, isto é,  aspecto bio-psico-social. É caracterizada por um estado de humor, emoção, sentimento.

É um fenômeno puramente psicossomático envolvendo a mente e o corpo como um todo único e integrado.  Sua teoria é pautada na Psicofisiologia, na Psicologia Social, na Patologia Geral, na Psicanálise e nos princípios holísticos.

Agora vamos ver os afetos.  A doença psicossomática é uma doença causada pela distorção de um afeto.  O afeto acompanha uma idéia ou uma representação mental que gera o componente emocional de uma idéia que o indivíduo manifesta através da expressão de uma emoção.

A vida afetiva se desenvolve através da relação entre o homem e o meio em que vive, o mundo externo, e com as pessoas; varia de um momento para o outro de acordo com os sucessivos acontecimentos da vida.

Passa também pela “fantasia”, que também (segundo Krystal-1973) é uma forma de expressão e modulação de afetos, emoções e comportamentos, porque a fantasia é uma cena mental na qual estão presentes, embora deformados pelos processos defensivos, a pessoa e a realização de um desejo.

A emoção é um complexo estado de sentimentos incluindo componentes somáticos (corpo), psíquicos e comportamentais.  Implica na cognição, conhecimento da sensação e, usualmente, sua causa; afeto, o sentimento em si; conação, o impulso para entrar em ação e alterações do padrão físico, tais como, taquicardia, sudorese, aumento ou queda da pressão arterial.  Pode ocorrer na dinâmica das emoções gerando um distúrbio afetivo.

O relacionamento interpessoal é marcado por afetos agradáveis ou não. Por estas razões, o afeto, como a qualidade e a intensidade emocional que acompanham uma idéia, é um importante gerador de problemas psicossomáticos.

O paciente psicossomático tem dificuldade para cuidar de si mesmo.  Tal dificuldade vem de quando ainda criança, o ato de interiorizar o objeto materno que, normalmente, traz segurança e conforto para a criança, seria sentido como sujeito a castigo e punição. 

Ocorre um bloqueio dos afetos levando à paralisação do desenvolvimento afetivo normal.  Desta forma, o aparecimento das doenças classificadas como Psicossomáticas passam, necessariamente, pelos afetos.

Julgo de grande importância falarmos na ALEXITIMIA (doença classificada entre os transtornos psicossomáticos) e no PENSAMENTO OPERATÓRIO sempre que falarmos em Doenças Psicossomáticas, não descartando outros distúrbios afetivos de grande importância também.

A ALEXITIMIA, dificuldade marcante para verbalizar, falar a respeito, para expressar e descrever os sentimentos próprios e as sensações corporais acompanhada de impressionante habilidade para fantasiar e uma maneira prática e utilitária de pensar (pensamento operatório) sempre presentes em pacientes que sofriam de alguma condição psicossomática.

Faz-se presente em pacientes que apresentam transtornos clínicos ou psiquiátricos, como uso e abuso de álcool e substâncias psicoativas, depressões típicas ou mascaradas, transtornos sociopático da personalidade, nos transtornos alimentares como bulimia e anorexia, personalidade sociopática (existem muitos relatos em Psiquiatria Forense a respeito de assassinos) ou pacientes bordelines.

A ALEXITIMIA (termo utilizado pela Escola Americana de Psicossomática) está ligada à forma de lidar com as emoções.  É a ausência de palavras para nomear as emoções, as dificuldades em descrever e até em sentir as emoções; não nega as emoções, mas há ausência de sentimentos.

O PENSAMENTO OPERATÓRIO (termo utilizado pela Escola Francesa de Psicossomática) é uma característica comum e frequente quanto à forma de pensamento.  Os portadores do pensamento operatório têm mundo interno pobre e investem intensamente na realidade externa.  São pessoas que quando sofrem problemas existenciais buscam no trabalho ou em outras atividades o seu refúgio.

Segundo Pierre Marty (psicanalista francês), é um pensamento pobre em fantasias, é preso a elementos factuais e objetivos de ação, e com poucos elementos simbólicos.

Selecionei estes temas em função dos últimos acontecimentos que marcaram nossa sociedade, sugerindo que prestem bem atenção ao perfil do principal ator.

Tanto se falam em “Bulling”, e nas consequências desastrosas que pode causar em determinadas pessoas, mais comum entre crianças e adolescentes que sofreram esta tortura emocional.

Hoje já se tem o conhecimento da Síndrome de Burnout, doença ocasionada pelo ambiente de trabalho, pressões de chefes e cumprimento de metas que faz com que pessoas que tenham a estrutura de ego mais fragilizada entrem em colapso interno e apresentem muitos sintomas físicos só controlados através de intervenções terapêuticas e psiquiátricas.

Vamos olhar com mais carinho e atenção para aquela criança que se esquiva muito de uma vida social com seus coleguinhas, dando preferência  ao isolamento dos jogos eletrônicos e à internet.   É para pensarmos.

 

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