- Ano VII - nº 3 (61) - Abril /Maio de 2013.                                                                 Direção: Osiris Costeira

PSICOSSOMÁTICA - Iára Vieira - iarasovieira@gmail.com

CONVERSANDO COM OS SINTOMAS

 

Primeiramente quero deixar bem claro que quando falo em doenças não estou entrando no mérito da pesquisa da Medicina, dos processos materiais expressos no corpo físico e que podem ser diagnosticados  através dos diversos exames clínicos tão conhecidos e necessários para o mapeamento dos danos provocados pela doença em nosso organismo.  Estes são sintomas físicos visíveis e mensuráveis que devem ser tratados pela Medicina. 

Refiro-me ao fato de que estes processos não são as únicas causas relacionadas às doenças.  Existem processos imateriais, impossíveis de serem mensurados nos exames clínicos, nas causas que desencadeiam as doenças.

A doença é flexível e se expressa através de sintomas oportunistas com finalidade e conteúdo determinados e pode procurar e encontrar diversas causas para continuar existindo.

Em todos os sintomas existe uma mensagem codificada, e devem ser observados e interpretados como um pedido de socorro.  Todo o sintoma é passível de interpretação.

Se dividirmos a doença em todas as suas formas sintomáticas devemos observar todos os sintomas relacionados e correlacionados e entender suas mensagens para percorrermos o difícil passo a passo no sentido da cura do doente.

O primeiro passo é a conexão com o momento presente, o aqui e agora, não me detendo no passado pois ele está repleto de queixas e motivos para os infortúnios, personagens e acontecimentos nos quais recaem as culpas. Buscando as causas no passado nos desviamos da informação real.

Analisando minuciosamente o significado do sintoma que se apresenta no momento presente o resultado nos revelará aspectos característicos de nosso caráter que, analisado o passado, também identificaremos as diversas formas de expressão deste mesmo caráter, obedecendo a um padrão de respostas.

Os sintomas se manifestam de acordo com a maneira como o indivíduo responde aos estímulos do meio em que vive. E o que determina a forma do adoecer não são os fatores externos mas sim como o indivíduo percebe e reage a este externo e como os utiliza a serviço de sua doença.

No processo de análise dos sintomas, devemos observar o momento exato e a área em que o sintoma se manifestou, os acontecimentos da época, situações de vida, acontecimentos, notícias, como fatores externos bem como pensamentos, fantasias, sonhos, estado de ânimo, mudanças significativas da vida.

Muitas vezes, os acontecimentos assinalados pelo doente como de pouca importância em sua vida são os mais importantes e os que continham dados mais significativos.

Como ilustração, cito um fato que aconteceu há dez anos: um rapaz me procurou para fazer terapia por indicação médica em função de úlcera gástrica de fundo nervoso que estava ativa novamente.  Durante a entrevista ele cita todas as possíveis causas que justificavam perfeitamente a hemorragia gástrica. 

Após 10 semanas de trabalho, quando fui mais incisiva em relação aos acontecimentos da vida na época da hemorragia, ele falou de um churrasco, sinalizando que achava que o que lhe fez mal foi a caipirinha, o excesso de gordura e do alho.

Perguntado se se lembrava de algum acontecimento ligado a este churrasco, com o mesmo afastamento emocional relatou que durante o churrasco foi avisado do acidente de carro sofrido pelo irmão que o levou ao óbito, e a situação da cunhada que estava muito ferida no hospital.

Foi um fato de extrema importância e grave,  omitido por tanto tempo, que desencadeou o processo da doença.

Continuamos no próximo número.


 

 

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