- Ano IX - nº 4 (73) - Setembro / Outubro / Novembro de 2015.                                        Direção: Osiris Costeira

PSICOSSOMÁTICA - Iára Vieira - iarasovieira@gmail.com

QUANDO A MENTE ENCONTRA O CORPO

 

O que somos hoje vem dos nossos pensamentos passados, e os nossos pensamentos presentes constroem o nosso amanhã, a nossa vida é a criação da nossa mente”.

Buddha

 

 

Vivemos dias de intensa correria.  Estamos sempre apressados em função de algo, acontecimentos ou alguém.  Nosso sistema ação-reação é quase mecânico, agimos na maioria do tempo, no piloto automático, dando respostas automáticas.

Nos tornamos surfistas de nossas ondas emocionais. Não temos tempo para sentir, avaliar o que sentimos não temos tempo para expressar nossas emoções, nossos sentimentos, ao menos nos esforçamos para identificá-los.

Há muita confusão entre expressar emoções, afetos, sentimentos, com o hábito de simplesmente falar, e falar, e falar...  Aliás, bem lembrado, expressar as emoções, afetos e sentimentos, como temos dificuldades em nomear o que sentimos, porque não sabemos nomear, como temos dificuldades em reconhecer a diferença entre emoção, sentimento e afeto.

Aliás, um parênteses, desde pequeninos não fomos educados para falarmos sobre nossos sentimentos, afetos, sensações.  Muitas vezes, um “cala a boca”, outro “engole o choro” e outro “olha o castigo” são respostas que recebemos se tornam suficientes para calarmos o que sentimos, apenas calamos, mas este turbilhão continua perambulando pelo nosso corpo, junto com outros despertados pela incapacidade de expressão, até encontrarem abrigo onde forem acolhidos.

Não conseguimos identificar o mundo emocional e mental do outro porque também desconhecemos o nosso.  Falando em “outro”, como temos a habilidade de reconhecer o lado negativo do outro com perfeição e quase que, de imediato, o outro provoca, o outro irrita, o outro é o culpado, o outro, o outro, o outro....  o outro é o nosso inferno.  Como é fácil, não é mesmo?

Assim vamos criando nossas lendas pessoais.

E nós?  Como nos vemos?  Como nos sentimos? Como nos percebemos?  Será que realmente nos vemos?  Nos sentimos? Nos percebemos? Somos realmente conscientes do que somos, sentimos e pensamos?

Até que, num determinado momento, somos tomados por desconfortos emocionais que nos causam estranhezas,  ansiedade, depressão, medos, inseguranças, sentimentos de menos valia, dentre outros, sentimos uma série de desconfortos físicos sem, aparentemente, nada que os justifique, começam os exames, as idas à médicos e, nada, nada objetivamente identificado.

Neste palco bem fértil, começa a se delinear, uma instância imaterial, fortemente arraigada, criada pela falta de foco de nossa consciência, do desencontro da mente e do corpo, que vem nos acompanhando quase que de forma imperceptível, incidiosamente, silenciosamente, mas com raízes bem plantadas por nossa (in)-consciência que, por muito tempo, vive “fora” de nós, focada em nossa realidade externa. Consequência do desalinhamento entre pensamento, emoção, sentimento.

Muitas doenças mentais, emocionais e físicas derivam de uma forma incorreta de pensar, sentir e agir.

Quando pensamos em fazer alguma coisa, a mente dirige um certo fluxo de energia à partes do corpo a fim de produzir ação física. Os pensamentos irradiam ou dirigem o fluxo de energia fora do corpo humano.

Um pensamento na mente, através do sistema nervoso, produz ação e efeito, possui vibrações de natureza física. A força do pensamento altera outras vibrações de natureza física. Os pensamentos são gerados ou estimulados por sensações externas percebidas pelos sentidos objetivos. O efeito do pensamento, sob certas condições emocionais ou sob a influência de certas enfermidades, faz com que estes padrões sejam alterados.

Nosso corpo é uma máquina comandada pelo cérebro que, por sua vez, é acelerado pela mente.  Quando nossa mente tenta acelerar o funcionamento de nosso cérebro, de forma constante e repetitiva, sem respeitar seu ritmo biológico, acaba se instauraurando o caos mente-corpo.

Pensamentos mórbidos, distorcidos pela lente de nossas emoções, até podem ser prazerosos por alguns momentos, contudo, estão obrigando o cérebro a uma vibração estranha que vai ocasionar naturalmente, mau funcionamento na mente.

Os pensamentos provocam uma descarga de energia mental reforçada pela distorção da percepção, colorida e carregada pela energia de nossas emoções e sentimentos, que aí já estão bem desequilibrados.  Este conjunto, gera no cérebro, reações químicas aleatórias que, por sua vez e à seu tempo, provocará um retorno, uma distorção mental que se repercutirá como uma aberração ao próprio cérebro, provocando sérios conflitos e se alojando em alguma parte do corpo, geralmente onde a genética não nos foi muito favorável, provocando graves desequilíbrios.

Os maus pensamentos prejudicam o cérebro e a mente colhe os seus frutos e planta a semente no corpo.  Aí começam o mal estar, o se sentir incômodo, os sentimentos de inadequação, os desconfortos emocionais, as insatisfações, ansiedade, dor mental, dor emocional, depressão. Nosso cérebro sofre pressões, que bloqueiam consequentemente, o seu correto funcionamento devido às formas mentais distorcidas.

Ao criarmos algo, primeiramente o fazemos sob a forma de ideias. Um pensamento ou uma ideia sempre precede sua manifestação. Criamos a imagem de uma forma, atraindo a energia física e orientando-a de modo a fazê-la fluir rumo à esta forma até que ela se manifeste no plano físico; isto é válido até mesmo quando não tomamos nenhuma providência para que nossas ideias se manifestem. O simples fato de se ter uma ideia e conservá-la na mente é uma energia que tenderá a atrair e a criar, no plano material, a forma em questão. Se pensarmos em doenças, nos tornaremos doentes, se nos acharmos uma pessoa bonita, saudável, bem sucedida, assim o seremos.

Pensamentos, ações, emoções são fatores que geram energias particulares. Essas energias impregnam o ambiente em que vivemos, exercendo influências sejam positivas ou negativas.  Essas descargas psíquicas, criadas por cada um de nós, se expandem exercendo fortes influências nos ambientes que vivemos que, por sua vez, também podem nos influenciar num mecanismo de retroalimentação.

A grande maioria das pessoas ainda se encontra nesta condição de sofrimento psíquico sem se dar conta da forma como foi criado e retroalimentado.

Assim, muitos sintomas atribuídos a doenças não passam de verdadeiras distorções da mente, resultante da forma desequilibrada de pensar, sentir, se comportar e viver.  A função, Corpo-Mente, manifesta-se na vida do homem como uma unidade existencial, da qual, ninguém está separado. A grande cura consiste (se ainda a instância imaterial não estiver plasmada em nosso corpo físico, mas apenas a dor psíquica), na tomada de consciência de cada um, a viver positivamente, a criar beleza e altruísmo, bem como encontrar um ponto devocional como referência para o justo viver.
 

 

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