- Ano V - nº 6 (46) - Maio de 2011.                                                                 Direção: Osiris Costeira

PSICOSSOMÁTICA - Iára Vieira - iarasovieira@gmail.com

O ESTRESSE E A FORMA DE ADOECER

COMO SE FORMAM OS SINTOMAS NO CONTEXTO HOMEM-CORPO-MEIO SOCIAL - 1ª Parte

Só é possível existir saúde onde corpo, mente e meio sócio-econômico e cultural estejam em equilíbrio harmônico.  O estudo e tratamento das doenças devem levar em consideração este conjunto.

É de importância ressaltar as relações familiares na construção dos mecanismos de adaptação, pois o grupo familiar tende a determinar quais grupos a criança vai participar em função da posição social e vínculos afetivos.  Tais grupos influenciam no comportamento da pessoa visto que condicionam, de acordo com suas regras e costumes. 

A pessoa é ensinada e educada conforme hábitos e costumes dos pais, professores e figuras significativas em sua vida que, através da modelagem, ensinam a proceder de forma semelhante a elas no presente e no futuro.  Este processo ocorre ao longo da vida reforçando atitudes e comportamentos através de gratificações quando é positiva, ou inibi-los através de punições, ou supri-los pelo processo de punição e frustração quando julgadas negativas. Tais experiências são incorporadas pela pessoa, passando a fazer parte de sua personalidade de forma não consciente.

"No nosso corpo estão as marcas de nossa história, do nosso esforço, de nossas perdas e de nossas vitórias.  Assim, o ser humano é o seu corpo e não apenas tem um corpo".

Dentro destas perspectivas, o adoecer surge como a expressão de conflitos resultantes das dificuldades em lidar com estas complexas interações.  Um grande número de doenças denuncia, expressa e revela a forma da pessoa viver, a sua qualidade de vida e sua maneira de interagir com o mundo. 

Quando estamos frente a uma situação de doença é importante a tentativa de evidenciar as possíveis situações de conflito, seja do indivíduo consigo mesmo ou com a circunstância a que está submetido; e isso porque o conflito é gerador de emoções, que são potentes o suficiente para originar distúrbios das funções de órgãos que, se repetidos e persistentes, alteram a vida celular acarretando lesão orgânica e suas complicações.

Hanz Selye afirma que as doenças de adaptação são consequência do excesso de hostilidade ou excesso de submissão.  Situações geradoras de estresse.

Mas o que quer dizer ESTRESSE, e quais são as suas consequências?

Deriva da palavra inglesa “stress”.  Em 1936, Hanz Selye introduziu o termo que era empregado na física para denominar o grau de deformidade de um material submetido a um esforço. Para designar o esforço de adaptação dos mamíferos para enfrentar situações que ameaçam seu equilíbrio interior.

Foi melhor conceituado por Hanz Selye e Cannon que fizeram uma analogia com o conceito que a física trazia: “qualquer objeto contundente traz ponto de tensão ao organismo.”

É  o “Conjunto de reações que o organismo desenvolve ao ser submetido a uma situação, gerando um estado de tensão sofrido mediante estímulos agressores, sejam eles químicos, físicos, biológicos ou psicológicos que exige um esforço para adaptação.”

Os seres vivos continuam com sua vida em equilíbrio enquanto conseguirem manter o estado que Cannon denominou de homeostase – que significa o equilíbrio interior entre todos os sistemas e órgãos.  Assim, qualquer modificação percebida pelo organismo desencadeia o alarme e a preparação física para a defesa através do sistema simpático que descarrega as catecolaminas no sangue.

A resposta ao estresse não é uma relação estanque, pois ao iniciar o processo bioquímico também se instala os sintomas físicos tão conhecidos de todos nós, tais como taquicardia, sudorese excessiva, boca seca, sensação de estar alerta, tensão muscular. 

Depois, em grau mais adiantado, outros estados poderão aparecer de acordo com a herança genética, e/ou pontos mais vulneráveis que vão enfraquecendo. Entretanto, a preparação do organismo é idêntica para qualquer tipo de agressão.  Basta uma súbita mudança no estado de equilíbrio, ou seja, ela é inespecífica.

Nos seres humanos, além dos componentes subjetivos (formas pelas quais percebemos as situações de acordo com nossa vida psíquica) que são os mais importantes, ocorre uma descarga da tensão que se dá nos músculos lisos (involuntários) que movimentam o estômago, intestinos, artérias e coração (embora este não seja do tipo liso).

Os prejuízos à saúde criados pelo estresse dependerão do tipo, da intensidade, da repetição, duração e forma como o indivíduo lida com ele.

Os estressores podem advir do meio externo e do interno; tanto um quanto o outro é capaz de disparar em nosso organismo uma série imensa de reações que se processam através dos  sistemas nervoso, endócrino e imunológico, através da estimulação do hipotálamo, hipófise e sistema límbico, estruturas do Sistema Nervoso Central relacionadas com o funcionamento dos órgãos e regulação das emoções.

 

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