- Ano V - nº 10 (50) - Setembro de 2011.                                                                 Direção: Osiris Costeira

PSICOSSOMÁTICA - Iára Vieira - iarasovieira@gmail.com

O ESTRESSE E A FORMA DE ADOECER

COMO SE FORMAM OS SINTOMAS NO CONTEXTO HOMEM-CORPO-MEIO SOCIAL - Final

 

ENFRENTAMENTO DA FONTE ESTRESSORA

Frente à uma situação onde nos sentimos ameaçados, frente à um estímulo estressante temos duas alternativas: podemos fugir ou optar pelo seu enfrentamento (vamos entender que, o significado de enfrentamento aqui, não é uma situação de litígio e sim de encararmos a situação de frente buscando soluções amadurecidas que mantenham nossa integridade física e psíquica); assim, podemos enfrentar a situação estressora utilizando nossas defesas de ego bem estruturadas.  

 

As defesas psicológicas mais abrangentes são consideradas formas  de enfrentamento acompanhado da adaptação (quer dizer que toda a reação bioquímica desencadeada no organismo quando nos vemos diante de uma situação estressora é absorvida pelo corpo de forma que não o agrida, porque de certa forma, o conflito é resolvido)  – este é um conceito psicossomático por excelência; são todos os artifícios dos quais o organismo lança mão, sob o ponto de vista psicossomático, para enfrentar e se adaptar diante de uma situação agressora que nos põe em risco.

 

Hierárquicamente, o sofrimento primeiro se manifesta a nível psicológico; a resposta orgânica vem logo em seguida.

Quando um sistema psicológico possui defesas de ego ricas em articulações simbólicas, a via biológica, isto é, nosso corpo físico, não é atingida.

O indivíduo neurótico protege mais o corpo físico quando articula o simbólico; ele sofre à nível psicológico mas não atinge o corpo.   As defesas psicológicas são o arsenal que o sujeito possui para lidar com situações agressoras. 

Concluindo, as defesas articuladas para minimizar os danos no corpo físico (que provocam reações bioquímicas) são manifestadas organicamente através da Síndrome Geral de Adaptação, e são manifestadas psicológicamente através das Defesas do Ego.  A grosso modo, são as respostas orgânicas e as respostas psíquicas que envolvemos diante de uma fonte estressora.

 

FONTES DE ESTRESSE

Qualquer situação que propicie um estado emocional capaz de quebrar o equilíbrio e harmonia interna e exija uma nova adaptação é denominada estressora.  Desta forma, até mesmo uma promoção (fonte de alegria) pode estar incluída.  Algumas são intrínsecas como o frio, a fome e a dor.  Um estressor é percebido por um dos receptores do sistema nervoso periférico e levado pelos sistemas sensoriais ao cérebro.

Penfild (1975) afirmou que, quando estas mensagens chegam ao SNC e neocórtex, estes eventos ambientais são integrados como estados emocionais, e são codificados no hipotálamo e no sistema límbico. O resultado disto é a retroalimentação para o sistema límbico efetuar uma interpretação emocional.

Desta forma, é ele que vai definir se um evento é ou não ameaçador, de acordo com a experiência do sujeito.  A reação se dará a partir do momento que a interpretação alertar o organismo sobre a presença do evento exigindo uma ação imediata.

 

Os estressores externos são eventos que ocorrem no nosso dia a dia, tais como morte, acidentes, brigas, doenças, trabalho, situação financeira, família. Os estressores internos, por sua vez, são representados pelo modo de ver o mundo, hábitos, crenças, valores, padrões de comportamento, ansiedade, medo.

O PERFIL DO DOENTE PSICOSSOMÁTICO

O bloqueio das emoções e sentimentos, inclusive a agressividade, resulta na agressão ao próprio corpo e, consequentemente, nas doenças.  Nos anos 50, Franz Alexander, um dos pioneiros da Psicossomática, propôs que estes dois comportamentos quando são bloqueados levam a um desequilíbrio do sistema neurovegetativo.

 

Alguns indivíduos vivem em permanente tensão, rivalidade ou competição, e bloqueiam a expressão física após o sistema simpático ter sido ativado.  Quando estes estados se tornam repetitivos há uma pré disposição à ocorrência de doenças como hipertensão arterial, enxaqueca, hipertiroidismo, artrite, diabetes, doenças cardiovasculares, dentre outras.

 

Outras pessoas se sentem desamparadas e fracas, dependentes, e isto levariam a ativação do sistema parassimpático (acalma o organismo).  A repetição leva à asma, colite, diarréias, úlceras, doenças auto-imunes.  Entretanto, estes dois sistemas podem atuar interligados, como uma pessoa vivenciando uma competição, podendo sentir culpa o que leva à necessidade de proteção.

 

O processo saúde/doença permite observar: se seguisse o curso natural, a doença teria alcançado o indivíduo somente na velhice, ou até mesmo não apareceria.  Se aparecer antes, leva à incapacitação ou morte precoce.

 

A ERA ATUAL DO SUPERESTRESSE

Sabemos que existem, hoje, fatores estressantes sobre o sistema nervoso que não existiam no passado, tais como:

  • Síndrome de Megainformações: o bombardeio diário de informações, que são registradas diariamente no cérebro sobrecarregando-o e levando à liberação do hormônio do estresse.
  • Exaustão induzida pela tecnologia, televisão, internet, fax.
  • Sobrecarga neurológica - acúmulo de tarefas que conduzem à necessidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo.
  • Competição desenfreada - necessidade de aprender novas profissões, corte de pessoal, perda de serviços sociais.
  • Falta de apoio familiar - desestruturação da família que conduz à insegurança, cada vez maior.

 

        Dr. Herbert Benson definiu o estresse como: "O estresse é a sensação de que sua habilidade de executar coisas é sobrepujada pelas exigências que você deve cumprir".

 

ESTRESSE INFANTIL


Pensava-se que as crianças eram imunes ao estresse porque, teoricamente, "elas não tinham problemas". Entretanto, recentes pesquisas mostram que, hoje em dia, elas também têm sido acometidas e passaram a merecer também atenção quanto ao seu conforto emocional.

Entre as principais situações relacionadas ao Estresse Infantil considera-se importante: as perdas familiares, mudança de cidade ou escola, separação dos pais, brigas entre os pais, violência doméstica, quando um dos pais bebe e fica violento, exigência exagerada de desempenho escolar, social ou no esporte, nascimento de irmãos, doenças e hospitalização.

 

O Estresse Infantil também se apresenta com sintomas físicos e psicológicos. Entre eles podemos encontrar:

 

Sintomas Emocionais
- Pesadelos
- Ansiedade
- Impaciência
- Medo excessivo
- Agressividade
- Desobediência
- Hipersensibilidade

- Choro excessivo
- Introversão súbita

Sintomas Físicos

- Diarréia Crônica

- Ranger dos dentes

- Falta de apetite
- Dor de barriga
- Náusea
- Xixi na cama à noite

- Tique nervoso
- Dor de cabeça
- Gagueira
- Tensão muscular


 

 

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