- Ano IV - nº 2(30) - Janeiro de 2010.                                                     Direção: Osiris Costeira

RESPIRAÇÃO - Laeticia Ju. de Andrade - oespaco999@gmail.com

A Importância e o Valor da Respiração.

 

O corpo físico é nosso campo animal. Sabemos que a respiração do animal é perfeita, assim como sua distribuição de peso. Todo animal nasce com consciência corporal instintiva. Ele nasce completo. Porém, o animal se mantém sempre na sua natureza própria. A cobra é perfeita na sua natureza e no seu movimento, mas jamais terá a habilidade do macaco.

Aprendemos em Gathas (Leituras Sagradas), através de Hazrat Inayat Khan (Fundação Educacional e Editorial Universalista, de Porto Alegre) que “É pelo poder da respiração que os animais vão em busca do alimento, através da respiração eles percebem o que devem e o que não devem comer, através da respiração os animais carnívoros procuram a sua presa. É através da respiração que certos animais são avisados dos perigos, e é, mais uma vez, pela respiração que alguns animais, quando doentes, encontram o remédio próprio.”

“Se a criação inferior pode fazer tanto com o poder da respiração, quanto mais o homem poderia conseguir se apenas conhecesse a forma correta de desenvolver a respiração!”

“É através da respiração que os pássaros são avisados das mudanças do tempo e, de acordo com a necessidade, migram em bandos de um lugar para outro. Através da respiração os rebanhos de veados percebem a aproximação das tempestades, a mudança do tempo ou a chegada de um leão ou de um tigre.”

O homem, por sua vez, nasce não pronto. Ele tem possibilidades múltiplas de desenvolver naturezas diferentes entre si. No entanto, o homem busca uma natureza única, busca estar só num sistema, embora ele possua uma natureza múltipla. O seu corpo sente, porém, a necessidade de estar em mais sistemas e de se reconhecer em diferentes sistemas. Estar preso a um único sistema o torna estressado. O que vem a ser acumulativo, tornando-o prisioneiro de um único sistema, e comprometendo assim o entrar em contato com seus registros corporais.

Estes registros se tornam velados. A libertação se estabelece quando o homem reconhece que ele é um ser único, o qual pode se manifestar de diferentes formas, de diferentes naturezas, de acordo com a natureza da situação. Shivananda diz: “O homem ou a mulher que inalar em dezesseis OMs e exalar em dezesseis OMs é um homem cujo corpo não acumula estresse.”

E, mais uma vez aprendemos com Gathas (Leituras Sagradas) que “Aquele que domina a respiração torna a mente forte e resistente, torna-se calmo, em paz e adquire autodomínio.”

“Por isso, os iogues, Sufis e todos os estudantes de cultos secretos acreditam que a respiração é o meio de receber todo o conhecimento intuitivo em todas as direções da vida. Absorvido em milhares de coisas da vida diária, o homem dá muito pouca atenção ao pensamento. Por essa razão, ele conserva o coração fechado a toda revelação que pode ser recebida com a ajuda da respiração. O homem, em regra geral, nunca está consciente de sua respiração, de seu ritmo, de seu desenvolvimento, exceto na hora que ele está sem fôlego, devido ao cansaço, ou quando está tão excitado que se sente sufocado, ou quando alguma coisa não deixa a respiração fluir.”

Sabemos, também, que um animal de uma espécie não interage com o de outra. Ele se desenvolve dentro de seu próprio meio, pois em bando, pelo menos em algum período da sua vida, ele se organiza. Para se desenvolver ele precisa estar interagindo com os próprios meios do grupo. Ali, ele assume papéis e paralisa o desenvolvimento dele.

O homem, por sua vez, tem a capacidade de se desenvolver tanto estando em bando quanto só. Estar em vários papéis independe da condição de ele estar só ou em bando, mas depende do reconhecimento de si mesmo. Por isso, quando o homem está em um só papel ele se animaliza. Porque ele paralisa suas possibilidades de se desenvolver.

O computador é um exemplo disso. Ele foi criado pelo homem à sua semelhança, para que o mental tivesse mais tempo para desenvolver outras atividades. Na prática, o homem aumentou o seu tempo numa mesma atividade pelo fato de o computador lhe trazer mais possibilidades de avançar naquela atividade única. Ele acabou por ficar preso na ânsia de chegar ao limite daquilo.

Da mesma forma, o atleta que quer se superar fisicamente está obstinado em ultrapassar os limites do próprio corpo naquela modalidade em que ele atua. E, com isso, ele perde a chance de se reconhecer, de se ampliar em vários segmentos, em várias outras formas, e por isso ele se animaliza. Por exemplo, um nadador campeão na modalidade peito não desenvolve plenamente sua habilidade em outras modalidades de nado. Da mesma forma, a bailarina clássica encontra sérias dificuldades em tornar-se uma dançarina do ventre. Ao se ater à técnica, a bailarina enrijece a base da coluna. Aparentemente, ela tem todo o corpo solto, mas como sua respiração é presa ela trabalha com esforço com a força muscular, com rigidez nas articulações. Uma verdadeira manifestação da dança ocorre quando a bailarina entra em contato com todas as vertentes e pode permeá-las ao dançar, não se fixando em uma técnica, exclusivamente.    

A respiração é que leva o movimento e não o movimento que leva a respiração. Ao trabalhar as naturezas de diversos animais você encontra com mais fluidez a qualidade dos movimentos, seja na sua precisão, seja na sua continuidade, isto é, a respiração no movimento me faz reconhecer integralmente as conexões corporais e mentais.

Quando se faz um trabalho das qualidades dos animais, abrem-se campos energéticos que possibilitam ao homem liberar com fluidez o movimento rítmico da coluna. Esta liberação viabiliza o acesso com mais clareza dos registros corporais.

“A medula espinhal é uma espécie de cabo telegráfico que através dos nervos recebe os estímulos do corpo e os envia à central, ao cérebro, ao mesmo tempo em que recebe do cérebro as respostas motoras e sensitivas a estes estímulos e os envia de volta ao corpo.” (Leloup,JY – O corpo e seus símbolos: uma antropologia essencial. Ed. Vozes, 1998).

Todos nós temos um ritmo próprio. E esse ritmo só aparece quando o fluxo respiratório se faz contínuo, liberando as articulações para que movimentos apareçam de forma contínua. Há, assim, uma concepção de movimentos. Quando esse ritmo se perde, os sistemas circulatórios são aprisionados pelas articulações presas. É através do medo, da rigidez de idéias, de traumas, da polarização da respiração que o homem se desconecta do próprio ritmo.

 

CONTATO

fale conosco, tire suas dúvidas, fale com os terapeutas, opine sobre os artigos e dê sua sugestão de conteúdo.

BIBLIOTECA/LINKOTECA SELECIONADA

Nosso objetivo é formar um banco de referências bibliográficas das diferentes Terapias Holísticas, para consulta de todos os interessados em mais detalhes sobre determinado assunto. Seria muito importante, e verdadeiramente interativo, se recebessemos sugestões , objetivando uma das finalidades do site Terapia de Caminhos que é compartilhar experiências e conhecimento. Clique aqui para acessar a terapia que deseja uma bibliografia selecionada para consultas.

"As opiniões emitidas nos textos do site são de exclusiva responsabilidade de seus autores".