- Ano III - nº 4(25) - Julho/Agosto de 2009.                                                             Direção: Osiris Costeira

TERAPIA DO SOM - Marcela Ibarra

Tigelas Tibetanas

O som tem propriedades terapêuticas, e desse modo é usado há milhares de anos, desde os primórdios do Xamanismo, a mais antiga prática espiritual, médica e filosófica da Humanidade, através de sons vocais e tambores em seus rituais curativos. 

Ao longo dos séculos a ciência conheceu detalhes do som, e aprendemos que ele é formado de “ondas” que vibram em determinadas frequências. Os de altíssima freqüência, a ciência moderna direcionou na utilização do chamado Aparelho de Ultra-Som, considerado, hoje, uma das ferramentas mais úteis e simples para a realização de diagnósticos médicos. 

Não só a ciência acadêmica manipulou as ondas sonoras para adquirir mais conhecimento. O som, desde os primórdios, é terapia porque todo o nosso corpo é som, além de luz e água, como diz a Arte e a Ciência Ayurvédica. E, dessa maneira, nós vibramos, sempre, em determinada frequência, frequência esta que variará com o modo de nosso relacionamento com o mundo externo e com o nosso Eu interno. 

Quando a pessoa está com saúde, todo o corpo vibra em harmonia, que desaparece quando passamos por momentos de cansaço, estresse, tristeza, angústia ou ansiedade. Se pudéssemos escutar, dentro de nós mesmos, os sons desarmônicos que guardamos em forma de sentimentos e emoções negativas, esses nos indicariam a necessidade de transmutar essas emoções, em busca de paz, de harmonia. É nesse momento que o próprio som, dirigido em forma de terapia, pode ser extremamente curativo, revertendo em harmonia o próprio som de nosso corpo, harmonizando os nossos sentimentos.    

A Terapia do Som parte do princípio que cada tecido do corpo e cada órgão possuem a sua própria frequência vibratória, e que pode ser alterada pela aplicação de ondas sonoras. Cada célula do corpo humano é como uma pequena bateria, cheia de campos de energia e “vibrando” num sentido microscópico de energia. Os processos vitais que ocorrem na célula emitem esta energia constantemente no estado de saúde, mas o fazem de forma desordenada quando a célula adoece. É a desarmonia vibratória. 

Há diversas formas de a Terapia do Som ser usada atualmente.  Uma delas, cada vez mais utilizada no Ocidente, principalmente nas Américas, são as TIGELAS TIBETANAS  que, da mesma forma que os “caracóis” mexicanos e os “didgeridoos“ australianos, têm em comum a capacidade de evocar as experiências primitivas, trazendo à tona recordações pretéritas e profundas, como se fosse capaz de “retornar às origens”. Ao começo de tudo.  E esta viagem gera o equilíbrio do interno com o externo de cada um. Gera Paz e Serenidade. Gera Saúde.     

As Tigelas Tibetanas, também conhecidas como Tigelas Cantantes Tibetanas, são praticamente artesanais, fabricadas com uma liga de sete metais de alto teor vibracional: Ouro (simbolizando o Sol e a energia Yang), Prata (simbolizando a Lua e a energia Yin), Cobre (simbolizando Vênus), Ferro (simbolizando Marte), Estanho (simbolizando Júpiter), Chumbo (simbolizando Saturno) e Zinco (simbolizando Mercúrio).    

Suas origens se perdem no passado pretérito do povo tibetano, provavelmente pré budista, sendo os seus conhecimentos, originariamente, passados oralmente de mestre a discípulo, sem informações escritas. As Tigelas Tibetanas são encontradas, principalmente, na região do Himalaia.        

Além de serem peças de rara beleza artesanal, emitem um som extremamente tranqüilizante, gerador de paz e harmonia, ao ser friccionado por um bastão. Cada tipo ou tamanho de tigela tem o seu próprio tom no som emitido. Na sequência de seu uso há uma orquestração de sons harmônicos que modulam quase como numa melodia sinfônica.

 

O uso das Tigelas Tibetanas, ou Massagem Sonora como lhe chamam alguns terapeutas, pode ser feita com o paciente encima de uma maca, ou mesmo deitado no chão sobre um colchonete que lhe dê conforto e absoluto relaxamento. As tigelas podem ser acionadas uma a uma, ou executando uma determinada sequência melódica. 

No prosseguimento da terapia, as tigelas podem ressoar ao redor do paciente ou fazendo-as vibrar nos vários segmentos, tanto pela frente quando por trás do corpo. A intensidade conseguida pelo som, ou se ele soou ou não, informa ao terapeuta a localização dos bloqueios apresentados pela pessoa, passando, esses lugares, a ser o foco da atenção do terapeuta. Assim, pelo princípio da ressonância a vibração mais intensa e harmônica contagia a mais frágil ou adoecida.    

Com o relaxamento produzido pela combinação dos sons, numa verdadeira massagem sonora, há modificação da freqüência das ondas cerebrais, quando se experimenta um estado entre o sono e a vigília. Neste estado de consciência, é comum a visualização de imagens e cores, assumindo todo o tipo de formas, figuras geométricas, símbolos, mandalas, e outras. Hans de Back, pesquisador holandês e uma das maiores autoridades em Terapia do Som na Europa, demonstrou em vários grupos experimentais a capacidade de relaxamento das Tigelas Tibetanas. 

                                                                   

 “Comecei a bater na borda das tigelas, uma após outra, ao mesmo tempo em que entoava os mantras monossilábicos (voltarei a abordar esses mantras mais adiante, nesse capítulo). Eu podia sentir que ele estava um tanto apreensivo, fato perfeitamente compreensivo, visto que para ele essa experiência era algo inédito. Depois de um ou dois minutos, porém, ele começou a relaxar. Sua respiração ficou mais profunda e uniforme, e sua voz ficou mais firme, enquanto ele me acompanhava recitando os mantras. O efeito calmante do som, ao reverberar através e em torno dele, era visível na sua fisionomia, que deixou de expressar ansiedade e passou a transmitir a sensação de tranqüilidade e aceitação. Eu também podia ver sua energia se transformando quando ele começou a se recuperar do terrível pesadelo que havia consumido seus dias e noites.” 

Assim o Dr. Mitchell Gaynor, destacado oncologista americano e Diretor de Medicina Integrativa no Strang-Cornell Câncer Prevention Center, descreveu uma seção de Tigelas Tibetanas em um paciente do Centro de Prevenção de Câncer, no seu livro “Sons que Curam”, da Editora Cultrix, São Paulo, Brasil. 

Em termos clínicos, a ação das Tigelas Tibetanas, bem como a da Terapia do Som de um modo geral, pode e deve ser utilizada em indivíduos com estresse, ansiosos, deprimidos, e para normalizar os níveis de pressão arterial, equilibrar o sistema imunológico, bem como a frequência das ondas cerebrais dos hemisférios direito e esquerdo, além de aumentar o poder de criatividade e a harmonização da respiração. É terapia para ser utilizada em pessoas de qualquer idade, devendo, apenas, ser evitado em portadores de marca-passo implantado.

 

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