- Ano IV - nº 2(30) - Janeiro de 2010.                                                             Direção: Osiris Costeira

TERAPIA DO SOM - Osiris Costeira - osiris.costeira@uol.com.br

O Som Misterioso do Didgeridoo

O som representa para o Homem uma das formas mais antigas de contato com as suas Divindades, representando um elo de comunicação direta e imediata com o qual “dialoga” com as mais diversas manifestações de seus deuses.

E esta sonorização é produzida pela voz humana, através de cânticos e mantras, e pelos mais variados instrumentos sonoros, quer emitam sons harmônicos de melodia ou sejam tão somente de percussão.

Além dos aspectos divinatórios alcançados com o som, este também é utilizado, plenamente, como recurso terapêutico desde épocas remotas, em que os xamãns ou pajés de antigamente eram um misto de sacerdote e curandeiro. Aliás, não é por acaso que Terapia significa, em grego, “Servir a Deus”!

Um dos mais interessantes e antigos instrumentos produtores de som é o DIDGERIDOO. Também chamado de Didjeridu ou de Yadaki, é um instrumento de sopro dos aborígenes australianos do Norte, usado tanto nas crenças religiosas e místicas quanto como terapia. Quando utilizado em cerimônias nas comunidades aborígenes é, tradicionalmente, proibido a mulheres e estranhos, embora seja, cada vez mais, largamente difundido na Europa e na América do Norte.

É um aerofone, ou seja, um instrumento onde o som é provocado pela vibração do ar. O som do didgeridoo é produzido pela vibração dos lábios e por outros sons produzidos pelo instrumentista. Ele é um instrumento muito antigo, em que estudos arqueológicos, baseados em pinturas rupestres, sugerem que o povo aborígene da região Kakadu já o utilizava há cerca de 1500 anos.

O autêntico didgeridoo dos aborígenes é construído da forma tradicional por comunidades do Norte da Austrália, ou por pessoas que viajam para a Austrália Central em busca da matéria prima. Para a construção desses instrumentos são usados troncos duros, especialmente de eucaliptos escavados por térmitas, árvore abundante naquela região, e tocado ao estilo do trompete.  Outras vezes são usadas espécies nativas de bambu.

  

Eles também são feitos a partir de tubos tipo PVC. Estes, geralmente, têm um diâmetro entre 4 e 5cm e um comprimento que corresponde ao tom desejado, com acentuadas perdas na intensidade e definição do som.  O bocal, muitas vezes, é feito da tradicional cera de abelha ou de fita adesiva. Uma rolha de borracha furada e de um tamanho apropriado também pode servir de bocal.

O didgeridoo é tocado com a contínua vibração dos lábios para produzir o zumbido, enquanto é usada uma técnica especial de respiração, chamada de “respiração circular”. Esta exige a respiração através do nariz enquanto que, ao mesmo tempo, a expiração deve ser feita pela boca usando a língua e as bochechas. Para um tocador experiente, a técnica da respiração circular permite que ele renove o ar de seus pulmões mantendo uma nota pelo tempo que ele desejar.

Em 2005, um estudo do British Medical Journal descobriu que aprender e praticar o didgeridoo ajudou a reduzir o ronco e a apnéia do sono, assim como o tempo necessário para o descanso. Isto parece funcionar devido ao fortalecimento dos músculos das vias aéreas superiores, diminuindo a tendência de distúrbios durante o sono.

Um outro estudo, desenvolvido no Curso de Naturologia da UAM (Universidade Anhambi Morumbi), em São Paulo, em 2008, promoveu a comprovação de seus efeitos terapêuticos na redução da ansiedade, além de demonstrar, também, uma melhora na qualidade de vida, redução à vulnerabilidade ao estresse e melhora na respiração com indícios de combate ao tabagismo.

Para que possamos sentir todo o envolvimento do som do didgeridoo, vamos ouvi-lo em dueto por dois profissionais australianos, e em solo de um artista aborígene paramentado para uma cerimônia religiosa.

 

 

 

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