- Ano IV - nº 4(32) - Março de 2010.                                                                     Direção: Osiris Costeira

YOGA - Sri Ananda Deha - anandadeha@gmail.com

YOGA E ECOLOGIA: CIÊNCIAS IRMÂS? 

Espiritualidade Socialmente Engajada - Parte II

 

Saudações ecológicas a todos os leitores!!!

Dando continuidade a discussão anterior (Nov/2007, Out/2009 e Fev/2010), trago a visão do Yoga para nosso atual momento de crise de percepção.

A pergunta que pode surgir neste momento é: e o Yoga, o que ele tem haver com isso?

Podemos responder esta pergunta com outra: o que é Yoga? De acordo com Kupfer (2001), “vivemos na era da caixa”. Assim que agente nasce, nos colocam em uma caixinha, o berço, junto com outras crianças, dentro de uma caixa, a sala, dentro de uma caixa maior, o hospital. Quando chegamos ao lar materno, nos dizem: este é o seu quarto, e nos colocam em outra caixa. Ao crescer, nós fomos mudando de caixa, casas, colégio, clube, trabalho, entrando em caixas, saindo de caixas, caixas empilhadas, espalhadas, penduradas, enterradas, transportando-se em caixinhas metálicas com rodas, com asas, soltando fumaça. E, quando chegar a hora da morte, nos colocarão em uma caixa de madeira feita sob medida e enterrarão essa caixa numa fossa com forma de caixa. O Yoga ensina a sair da caixa. Sem importar em que caixa nós estejamos agora (Kupfer, 2001). Indo mais além, precisamos sair da caixa ultrapassada do paradigma cartesiano-newtoniano e do materialismo. O Yoga pode nos ajudar nisso também.

Para imprimir esta “Revolução Humana”, precisamos nos conhecer melhor, ou seja, “de mergulhar no oceano da consciência” (Kupfer, 2001). E, de acordo com este mesmo autor, o Yoga é o instrumento que usamos para dar esse mergulho: ao mesmo tempo o ato de mergulhar e o lugar aonde chegamos.

Afinal, por que o Yoga e não outra filosofia neste momento? Pois no Yoga não se precisa acreditar em nada, pois o yogui acredita na sua própria existência. É por esse motivo que o Yoga está mais próximo da ciência que da religião. Não há dogmas (caixas). Apenas o axioma de que a energia vital existe e é real (Kupfer, 2001). Essa aproximação é uma das grandes necessidades do ser humano nessa escalada evolucionária.

E o que é o Yoga? Muitas definições foram dadas, mas a verdade é que o Yoga se recusa a ficar aprisionado numa única definição. Ele acaba sendo sempre mais do que as palavras podem dizer. O mais importante é que não inclui a crença em nenhum poder sobrenatural, nem exige fé religiosa (Kupfer, 2001). De acordo com o autor, “simplesmente expõe um caminho de auto-análise que pode praticar-se, prescindindo de qualquer teoria, crença antiga ou moderna por parte de quem o pratica. Um caminho que conduz o homem a compreender a si mesmo”. E compreender a si mesmo é o que nós mais precisamos neste momento de transição, crise e medo.

Yoga significa união em sânscrito, mas pode significar também trabalho, aplicação. Em outras palavras, Yoga seria o meio e o fim ao mesmo tempo (Kupfer, 2001). Yoga pode significar também consciência, transformação da consciência humana em Consciência Divina (Jaideva Singh, no comentário do Vijñánabhairava, p. XIII, apud Kupfer, 2001). Yoga pode também ser considerado como liberdade. Libertar-se de condicionamentos e preconceitos, por exemplo. Além disso, “Yoga é perfeição na ação” (“Yogah karmashu kaushalam”, Bhagavad Gítá – II:50). Esta é uma visão tão ampla como simples do Yoga, qualquer coisa que você fizer, deve fazer-se como uma prática contínua e constante, exercendo atenção plena. Perfeição aqui significando a arte de viver consciente (Kupfer, 2001).

Jaimini Rishi (um dos mais importantes autores da filosofia Mímánsá) disse: “o resultado da prática do Yoga acontece agora, quando você obtém um resultado concreto agora, não espere por outro invisível mais tarde” (Kupfer, 2001). E esse é um dos pontos chaves da questão ambiental, as atitudes precisam ser agora, nós não temos mais tempo (caso isso exista de fato) para perder, precisamos modificar nossas atitudes agora, ou será tarde demais.

A capacidade crítica do yogui é uma das qualidades básicas para poder avançar na prática. A capacidade de observação, de si próprio e do ambiente é essencial, estar sempre atento. Esta é uma das principais habilidades que devemos aprender com os yoguis, devemos desenvolver uma consciência crítica para saber discernir em todas as escolhas e atitudes. “Discernimento constante é o meio para destruir a ignorância” (Patañjali, Yoga Sútra, II:26).

Yoga tem a ver com você, com sua existência, com o seu momento presente, com o ar que entra por suas narinas no mesmo instante em que você está aqui sentado lendo. Fazendo o paralelo com a ciência em questão, isso que acabamos de ler também é Ecologia, em seu sentido mais amplo. A preocupação com a nossa casa, em todas as escalas possíveis, culminando com a Terra e o Universo.

Neste momento atual, o que mais precisamos fazer é parar um pouco o ritmo frenético que nos encontramos, sentar bem confortável com as costas eretas e os olhos fechados, tomar consciência da nossa respiração e desfrutar intensamente da certeza de estar vivo. Precisamos respirar fundo, usando toda a extensão de nossos pulmões, respirando com consciência de onde estamos neste momento, diminuindo a frequência de nossa respiração. Com isso, conseguimos aos poucos diminuir os ritmos de nossos pensamentos e emoções, isso é Yoga. Seja bem vindo!

Se faça esta pergunta: quando foi a última vez que você se lembrou que estava vivo? As pessoas se esquecem disso facilmente nos dias de hoje. Esquecem que estão vivas! E o Yoga serve para isso, para lembrar (Kupfer, 2001).

Nós devemos estar conscientes a cada momento da existência, assim como acabamos de fazer. A cada inspiração e expiração. O verdadeiro significado de estar vivo só pode experimentar-se quando se está totalmente consciente. Consciente de cada respiração, cada pensamento, cada ato. Tempo, espaço e pensamento não são mais prisões, mas campos de expressão do Ser. A verdadeira origem, a fonte do Ser, está além do tempo, além do espaço e além do pensamento. A experiência dessa fonte nos dá o conhecimento absoluto, livre de objetos, tempo e memória (Kupfer, 2001). Isso é Yoga, isso é Ecologia Profunda e esse é o novo paradigma!

“Temos que tomar responsabilidade pela realidade que co-criamos, e ao invés de nos lamentarmos e ficarmos passivos aos acontecimentos, podemos nos auto-curar e contribuir com o coletivo de pessoas e seres que já trabalham pela transformação do Planeta Terra. Estamos sempre olhando para fora. Simplesmente olhe para dentro!”

Nithyanandam (Viva em Eterno Êxtase)

 

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