- Ano II - nº 3(15) - Março de 2008.                                                                     Direção: Osiris Costeira

YOGA - Sri Ananda Deha.

Yoga e Meditação.

Os Fundamentos Filosóficos do Yoga segundo Sri Swami Krishnananda Saraswati Maharaj

Parte 1 – A Harmonia

Neste e nos próximos artigos, apresentarei uma síntese muito bem desenvolvida sobre o Yoga e a meditação, de um dos grandes mestres do assunto: Swami Krishnananda, discípulo de Swami Sivananda (para saber mais sobre os mestres ver www.yogasivananda.com.br).

“Eu colocarei em termos simples o que se deve considerar como o objetivo central da vida humana e a possível metodologia que se pode adotar para alcançar este objetivo, e sua realização.

Você já deve ter ouvido falar bastante sobre o que conhecemos como “Yoga”. E muitos livros, muitas palestras devem ter lhe dado informações variadas sobre esta misteriosa técnica conhecida como a arte da prática do Yoga. Em termos simples, sem envolver jargões técnicos, se Yoga for definida, podemos chamar de o sistema da harmonia. O que você chama de harmonia na língua Portuguesa, por exemplo, em Sânscrito é Yoga. Não é nada mistificado ou além da concepção da compreensão humana. Mas existe uma grande condição nesta simples definição de Yoga como harmonia. Enquanto é verdade que harmonia em todos os campos da vida é o que buscamos em nossa existência diária, é necessário saber o que harmonia realmente significa. E quando os princípios básicos deste simples fato chamado harmonia são absorvidos em nossa consciência, nossa personalidade torna-se estável. Estabilidade da personalidade, equilíbrio de consciência, harmonia nas coisas da vida, é Yoga.

Agora, harmonia implica em um ajuste de si mesmo em um ambiente que é externo a você. Quando não há um ajuste adequado de alguma coisa com outra coisa, nós chamamos de desarmonia. Quando existe um ajuste adequado, o fluir suave de um princípio, um fato, um objeto, uma pessoa com outra, nós consideramos isto como harmonia. Agora, a pergunta que deve surgir em sua mente de imediato é, por que harmonia deve ser o objetivo central; por que harmonia deve ser considerada indispensável na vida?

A razão é a própria estrutura do universo. O universo é um sistema de harmonia. Nós, como indivíduos humanos, formamos parte deste universo. Nós somos parte dele de tal forma que estamos integralmente relacionados a ele. Antes de prosseguir mais, seria proveitoso saber o que é ser integralmente relacionado com qualquer coisa no mundo. Eu vou tentar dar-lhe um exemplo de uma experiência comum. Você já deve ter visto pilhas de pedras no acostamento das estradas. Uma pilha de pedras é um grupo de pequenas unidades de matéria inanimadas colocadas juntas em um lugar. Nesta pilha de pedras, talvez, cada pedra esteja tocando todas as outras pedras.

Apesar de cada peça de matéria inorgânica chamada pedra nesta pilha estar conectada por meio de contato com cada outra pedra na pilha, nós não podemos dizer que qualquer pedra em particular está integralmente relacionada a cada uma das outras pedras na pilha. Elas estão mecanicamente conectadas, não vitalmente relacionadas.

Existe uma diferença entre conexão mecânica e relacionamento vital, orgânico. O contato de uma pedra com a outra pedra na pilha é mecânico. Não há vida nesta conexão. Se você retirar uma pedra da pilha, as outras pedras não serão afetadas em nenhum modo. Elas permanecerão como são. Não haverá nenhum tipo de dano para as pedras restantes ou uma diminuição em sua estrutura, se algumas pedras forem removidas da pilha. Logo, um grupo mecânico é aquele em que partes estão relacionadas ao todo de modo que se algumas partes são removidas, as partes restantes não são afetadas nem um pouco. É isto que nós queremos dizer quando falamos em relação mecânica. Mas a relação orgânica é algo diferente. Nós podemos usar como exemplo o nosso corpo. Você sabe muito bem que nosso corpo físico é constituído de diminutos organismos chamados células. Estas células estão tão conectadas umas com as outras que elas dão a aparência de um todo chamado corpo, similar a pilha de pedras no acostamento da estrada, você poderia dizer, de uma certa forma. Mas qual a diferença? Enquanto a remoção de algumas pedras da pilha não afeta vitalmente as pedras remanescentes, a remoção de alguns membros de nosso corpo irá afetar todo o corpo. Você sabe o que seria de um indivíduo, um ser humano, se os membros fossem amputados, os braços e pernas removidos. Você remove uma parcela do corpo de uma pessoa e, que diferença faz! A própria existência do corpo é seriamente afetada. A harmonia do corpo é perturbada, para chegar ao ponto. É por isso que quando um membro do corpo é removido, existe intensa dor, agonia e aversão com relação a isto. Nós somos aversos a qualquer interferência em membros do nosso corpo, por que os membros estão vitalmente conectados como um todo no sistema de nossa personalidade.

Então, agora, você sabe a diferença entre relação mecânica e relação vital. O que eu quero dizer é que nós estamos vitalmente relacionados com o cosmos, não mecanicamente conectados. Nossa conexão com o universo externo não é como a conexão da pedra na pilha, de modo que possamos fazer qualquer coisa sem afetar o mundo externo. Isto é impossível. Nossa conexão, nossa relação com o mundo externo é tal como a relação dos membros do corpo com todo o sistema do corpo. Qualquer intervenção no sistema não é avisada, nem requisitada. Para entender o que o universo seria você tem que entender o que o indivíduo humano é. Na mitologia Védica Indiana, nós temos o conceito do que é conhecido por Purusha, o Ser Supremo. 'Purusha' significa homem, o indivíduo humano. Mas quando os Vedas falam do Purusha no cosmos, significa o conceito do universo como um único indivíduo, um Indivíduo Cósmico, o qual se relaciona com as partes do cosmos tal qual um simples e limitado indivíduo relaciona-se com os membros do corpo. Você consegue imaginar, por um instante, o que seria permanecer como um indivíduo cósmico? Suponha que você que é a consciência que anima o universo, como você conceberia esta possibilidade? Para fazer isto, novamente, você deve trazer a analogia do corpo humano. Você sabe que você é Inteligência, ou um centro de inteligência? Você pode me questionar, como eu sei isto? Isto pode ser conhecido através de uma experiência. Você sabe que você é um todo completo chamado Sr. Fulano , Sra. Ciclana, e assim por diante. Quando você diz, "Eu sou uma pessoa assim e assado..." o que você quer dizer na realidade? À que você se refere? Às mãos, aos pés, ao nariz ou qualquer outra parte do corpo, ou todas as partes juntas: O que você quer dizer ao falar "Eu", ou o indivíduo que você é? Em um exame cuidadoso da situação você percebe que quando você refere-se a você mesmo como assim-assado, você não leva em consideração os membros ou órgãos do corpo. Por que, se a mão é amputada, você não diz que uma parte de você se foi. Você ainda permanece um indivíduo completo. Se duas pernas se vão devido a um tipo de cirurgia médica, o indivíduo ainda é completo. O indivíduo nunca sente que parte de sua personalidade se foi. Ele irá dizer que uma parte do corpo dele se foi, mas não uma parte dele mesmo. Ele ainda pensa como um ser completo. De outro modo, se os membros do corpo fossem uma parte essencial da personalidade, então, quando as pernas fossem amputadas, por exemplo, a pessoa iria pensar em um percentual menor. Teria-se um meio pensamento, um quarto de pensamento, um terço de pensamento e assim por diante. Mas isto não ocorre. Há um pensamento completo, uma compreensão completa, a consciência completa permanece intacta, no caso dos membros serem amputados ou removidos. Isto mostra que você não é os membros do corpo. Você é algo independente destes membros que constituem sua forma externa chamada de corpo. Você é uma inteligência ou ser espiritual. Você é um centro de consciência que anima este corpo, pois a amputação de membros do seu corpo não afeta a sua personalidade. Você é essencialmente consciência.

Agora, o conceito do Virat-Purusha ou o Ser Cósmico, o qual mencionei como relatado nos Vedas, é somente uma extensão deste conceito de consciência individual para o cosmos. Você pode fechar seus olhos por alguns segundos e imaginar que ao invés de ser um centro de consciência animando este pequeno corpo, você é um centro de consciência animando todo o universo? Você conseguiria expandir sua imaginação a esta extensão? Como você faz isto? Isto pode ser feito com um pouco de esforço da mente. Eu vou dizer-lhe esta técnica. A consciência que você é, a qual anima cada parte do seu corpo, - mãos, pés, dedos, nariz, olhos, etc. – esta consciência que você é, a qual habita em seu corpo individual, é tão uniformemente presente em cada parte do seu corpo que poderia se dizer que você está presente em cada parte do seu corpo. Você está presente em seus dedos das mãos e dos pés, você está presente em seu nariz, e assim por diante. Você, como um todo completo, está presente em todas as partes do seu corpo. Agora, você poderia estender esta analogia, ou comparação a todo universo? Apenas imagine que sua consciência não está meramente nos seus dedos das mãos ou dos pés, mas está também nesta mesa que você vê a sua frente, está também na cadeira, está na montanha, no sol e na lua, na galáxia, etc.

Se você puder estender sua imaginação desta forma, se sua consciência puder exceder os limites da sua personalidade corporal, e se você estender este caráter pervasivo da consciência além da limitação da sua personalidade corporal e concentrá-la em todos os objetos do mundo, você torna-se um Indivíduo Cósmico. Isto é Contemplação Yóguica, Meditação no sentido mais elevado do termo. Este é o ápice que você alcança após vários estágios de meditação.

Esta é uma técnica difícil, pois você não vai conseguir, normalmente, expandir sua consciência para outros objetos no mundo. Nós temos um preconceito, um velho hábito de pensar que os objetos estão fora de nós. Mas, você sabe que seus dez dedos estão fora de você? Eles são objetos; você pode vê-los assim como vê qualquer outro objeto no mundo. Se estes dez dedos (Ex. estes objetos) podem ser tornar parte de sua personalidade, então por que não devem os outros objetos no mundo se tornar parte de sua personalidade? Eles não se tornam, porque você limitou sua consciência em função de um velho preconceito de pensamento. Preconceito é irracional, ele simplesmente se afirma por si mesmo, ele não é receptivo à razão. Por que você deveria limitar sua consciência ao seu pequeno corpo? O quê você ganha? Por que não a estende para outras pessoas? Por que você não sente que todas as pessoas sentadas aqui são parte de um indivíduo social mais amplo (do mesmo modo que você se imagina como um indivíduo humano)? Por que você limita sua consciência para as pessoas sentadas aqui, vá além para o vasto mundo e imagine que você é o indivíduo mundial! Este indivíduo mundial é o que a religião chama de Deus.”

"Prática espiritual é para ser um movimento de um estado de alegria para outro estado de alegria. Da bem-aventurança o mundo veio, na bem-aventurança ele é localizado, e para bem-aventurança ele retornará um dia. Alegria é o início desta criação, alegria é o que sustenta este mundo e alegria é também o ponto culminante e anseio final deste mundo."

Swami Krishnanada

OM SHANTI, SHANTI, SHANTI!!!

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