- Ano I - nº 5 - Abril de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

YOGA - Sri Ananda Deha (Felipe de Almeida Olivella).

Yoga: Os quatro grandes ramos.

No primeiro artigo, falamos um pouco sobre o histórico do Yoga. Agora vamos entrar mais fundo neste tema. O Yoga possui quatro grandes ramos. O Bhakti Yoga, ou Yoga da devoção, que consiste basicamente em uma prática espiritual que almeja reconhecer o divino em todos os seres e formas. Podemos citar como exemplo, os seguidores de Krishna. Estes se conectam com o divino através da entoação de mantras, cânticos e danças. Atualmente, os seguidores de Krishna têm como principal líder espiritual o mestre A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada.

Outro grande ramo é o Karma yoga. Este é o Yoga da ação comunitária, sem visar benefício próprio. São todos os atos do dia a dia feitos em benefício do outro. Por exemplo, alguns professores de yoga estão oferecendo aulas de Yoga gratuitas em comunidades carentes, nas favelas e em grandes praças. Não só aulas de Yoga estão incluídas no Karma Yoga, mas qualquer coisa que você faça em benefício do próximo. Um simples ato como levantar para um idoso ou gestante sentarem no ônibus faz toda a diferença.

O terceiro ramo é conhecido como Jñana Yoga. Este, busca o conhecimento universal, ou seja, como o universo foi criado, o sentido da vida, de que forma você se encaixa no todo, dentre outras coisas. Os estudiosos do Yoga buscam nas escrituras sagradas (nos Vedas e Sutras, falaremos sobre isso mais a frente) todas as respostas para as perguntas mais profundas e filosóficas.

Raja Yoga ou Ashtanga Yoga é o quarto grande ramo. É o Yoga mental, da qual derivam todas as modalidades de Yoga conhecidas atualmente. Por volta do século III a. C., um mestre yogue conhecido como Patañjali foi o primeiro a deixar algum legado sobre o tema por escrito, os Yoga Sutras. Por esse trabalho, Patañjali ficou conhecido como o pai do Yoga. O Yoga de Patañjali é dividido em oito partes, por isso o nome de Ashtanga Yoga (ashta em sânscrito significa oito e anga quer dizer parte). São elas: Yamas, Niyamas, Asanas, Pranayamas, Pratyahara, Dharana, Dhyana e Samadhi. São oito etapas, mas não significa que devem ser seguidas na ordem. Todas as oito partes fazem parte do dia a dia do yogue.

Para os yogues, a formação do caráter e dos princípios éticos é de fundamental importância. Apenas realizar Asanas (posturas físicas) e Pranayamas (respirações) sem levar em consideração os princípios yogues não é praticar Yoga em sua essência. Esses princípios são encontrados nos Yamas e Niyamas. Nos Yamas encontramos: não-violência (Ahimsa), verdade (Satya), integridade (Asteya), não dissipação de energia sexual (Brahmacharya) e desapego (Aparigraha). Nos Niyamas: limpeza (Saucha), autocontentamento (Santosha), auto-esforço/disciplina/desejo ardente (Tapas), auto-estudo (Swadhyaya) e a entrega à Energia Suprema(Ishwara Pranidhana).

Os Asanas são as posturas físicas. Asana significa “assento”, e está relacionado com a postura para meditação, pois nos primórdios os únicos Asanas praticados eram o Padmasana (posição de lótus) e/ou Siddhasana (pernas cruzadas). Hoje em dia, conhecemos um número grande de Asanas, mais a frente entraremos com detalhes nessa parte.

A quarta parte do Yoga são os Pranayamas. Prana é energia vital e yama é domínio. Assim, Pranayama é o controle da energia vital, através da respiração. Não há Yoga e vida sem a respiração. O ato de respirar de forma correta e consciente é mais importante até do que o próprio Asana. Os exercícios respiratórios do Yoga são a ponte entre o físico e o espiritual. Através dos Pranayamas, é possível vivenciar paz e amor, aumentar a criatividade e curar o corpo, a mente e as emoções.

Silenciar a mente, ficar imóvel, estar vazio de sentimentos e necessidades, ir além dos sentidos, tirar a atenção do corpo e do mundo exterior durante as práticas, e levá-la para dentro, em direção ao interior do Ser, isso é Pratyahara. Os Asanas e Pranayamas contribuem para que isso aconteça. Com a prática constante, a mente se aquieta, se dissolve, e o praticante começa a sentir o seu Espírito, seu Verdadeiro Eu. Pratyahara é o passo fundamental em direção à união com o divino que existe dentro de cada ser humano, e é nesse ponto que começa o verdadeiro Yoga.

Dharana é concentração. Concentração é requisito básico para todas as nossas atividades do dia a dia, principalmente no Yoga. Isso significa estar no momento presente, no Agora, como se nada mais existisse. Isso contribui para o aquietamento da mente.

A meditação (Dhyana) é uma das oito partes do Ashtanga Yoga. Meditar é estar com o corpo relaxado e a mente alerta. É calar a mente para ouvir a alma. É integrar corpo, mente e espírito. É estar presente no Agora e sentir a unidade de tudo que nos permeia. Há muitas técnicas de meditação. O objetivo é ajudar o processo de diminuir a freqüência dos pensamentos e nos ajudar a perceber que há um intervalo entre eles. Esse intervalo é o estado meditativo. Mas meditar não é só sentar imóvel. Qualquer atividade que faça você aquietar a mente e estar presente no aqui/agora é meditação. Muitos de vocês já devem ter sentido uma imensidão no coração diante de uma paisagem deslumbrante, como por exemplo subir em um pico bem alto e ver toda a sua cidade de cima com o pôr-do-sol alaranjado, sentindo que nada mais existe...

Quando a consciência se expande e se difunde, permeando todo o Ser, isto é chamado de Samadhi (Hiperconsciência). O ponto de referência é transferido de fora para dentro, e a pessoa vive em estado de êxtase permanente, que é o estado natural de todo se humano. Quem atinge esse ponto de iluminação vive em Paz, mesmo em meio ao caos do cotidiano. Este é o objetivo máximo do Yoga.

Nithyanandam (Viva em Êxtase Eterno)!!!

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