- Ano II - nº 5(17) - Maio de 2008.                                                                     Direção: Osiris Costeira

YOGA - Sri Ananda Deha.

Yoga e Meditação.

Os Fundamentos Filosóficos do Yoga segundo Sri Swami Krishnananda Saraswati Maharaj

Parte 3 (final) – Técnicas Práticas.

“O que eu lhes disse até este ponto é a base filosófica. Agora eu lhes darei algumas dicas práticas, em fases, para atingir o estado de Meditação. De outra forma, a mente irá pular de um objeto para o outro, porque está acostumada a pensar somente em objetos. Para trazer a mente para este estado de consciência de meditação, estabilidade ou harmonia deve ser praticada em todos os momentos da vida. Existe harmonia em vários níveis.

1. Você deve ser harmonioso em suas relações com outras pessoas no mundo. Você deve ser amigável, você não deve odiar ninguém. Você não deve machucar ou enganar ninguém. Você não deve roubar o se apropriar d’aquilo que não lhe pertence. Você não deve ter nojo de nenhuma pessoa ou coisa; você deve ter afeição por todas as pessoas e coisas. Tudo isto constitui harmonia nas relações externas com a sociedade e o mundo. Você não deve tomar do mundo mais do que você lhe deu através de seu serviço.

2. Você deve ser harmonioso com sua própria personalidade. O indivíduo humano está muitas vezes fora de equilíbrio consigo mesmo. Você deve cuidar das mínimas necessidades do corpo: ex. Limpeza, um banho regular, comer somente quando estiver com fome - ex.: Comer somente quando sua língua saliva quando você vê um prato ou comida. Trate seu corpo como um amigo. Viva em locais ventilados; respire ar puro, passe ao menos 2 horas por dia ao ar livre. Adote uma vida simples com pensamentos elevados.

3. Você deve possuir harmonia dos músculos e sistema nervoso. Nós estamos geralmente em um estado de inquietude e agitação. Então nos é solicitado que pratiquemos Asanas ou posturas físicas, para o equilíbrio do corpo. Apesar de que para manter a saúde do corpo você deve praticar vários Asanas, para meditação você deve sentar-se em somente um asana. Ficando em uma única, estável e confortável postura, você traz harmonia para o sistema nervoso e músculos.

Por que esta postura é prescrita? Porque alguma energia, você pode chamá-la de energia elétrica, é gerada no corpo quando a mente está concentrada em meditação. Agora, se as extremidades do corpo são deixadas abertas, a eletricidade que é produzida na meditação irá vazar. Então, o propósito da postura é trancar os dedos das mãos e pés para que haja uma circulação de energia por todo o corpo, e para que não haja vazamentos desta energia para fora. Também, pra prevenir o vazamento, é solicitado que se sente em algo que não conduza eletricidade, ex. pele de cervo, tapete e não um assento de ferro (que irá lhe dar um choque). Sente-se lá, trancando os dedos das mãos e pés, e mantendo a coluna, pescoço e cabeça eretos em uma linha reta. Se você não conseguir sentar-se reto no início, sente-se de modo a apoiar as costas contra uma parede.

4. Torne o processo respiratório, Prana, harmônico. Pranayama é o estado normal de respiração. Geralmente nós não estamos no estado normal de respiração. E nós não ficamos felizes quando respiramos de modo desarmônico. Os Pranas são perturbados porque você deseja os objetos do mundo. E desejar um objeto é estar fora de sintonia com a lei do universo, porque o objeto não está fora da lei do universo; o objeto é uma parte vital e integral do cosmos. Então, quando você imagina que alguma coisa é externa, a consciência é perturbada, agitada e infeliz. Então esta desarmonia é alcançada não pelo mero controle da respiração através do nariz, mas pela redução dos desejos. Se você entretiver muitos desejos em sua mente, Pranayama será inútil, ou pode ser até danoso. Uma pessoa sem controle sobre desejos não deve praticar Pranayama. Primeiro você deve adotar uma conduta ética e moral.

No início não pratique métodos técnicos (como respiração alternada); apelas pratique a inalação e exalação normal. Inale devagar, completa e profundamente e exale devagar. Geralmente, você não respira devagar, completa e profundamente, você respira superficial e rapidamente.

O propósito do Pranayama é reduzir a taxa de respiração. E, quando o Prana se torna calmo por este processo de reduzir a velocidade da respiração, a mente também se torna calma. O Prana é conectado com a mente. Quando o Prana tem sua atividade reduzida, a mente também tem sua atividade reduzida. Entre o Prana e a mente estão os sentidos. Os sentidos são o ponto de encontro entre Prana e mente. Os sentidos tornam-se ativos, quer o Prana trabalhe ou a mente trabalhe.

5. Então, a quinta harmonia é o controle da atividade dos sentidos. Os sentidos não podem ser controlados enquanto você viver em meio aos objetos atrativos. Logo, nos estágios iniciais da prática do Yoga, você deve tentar por pelo menos algum tempo no ano em locais onde os objetos não sejam tentadores aos sentidos. Esta é a razão pela qual buscadores da verdade tentam viver em Asrams, monastérios ou locais reclusos. Quando você tenta gradualmente abster-se da indulgência sensual, morando em tais locais sagrados, os sentidos tornam-se automaticamente subjugados. Como os sentidos estão ligados com a mente, controle dos sentidos também envolve um pouco de controle da mente.

Quando a mente está acostumada com a vida de reclusão e solidão, e os sentidos não pedem por objetos tentadores, você está pronto para concentração e meditação. Isto é em verdade o campo do Yoga. Todos estágios preliminares são apenas preparatórios. Da concentração em diante é o Yoga propriamente dito.

6. Agora, concentração é de três formas:

A. Concentração em pontos externos:

A mente está acostumada a pensar somente em objetos externos; logo; seria perigoso cortar subitamente a mente dos objetos externos. Você não deve tentar concentrar-se em centros internos no início de sua prática.

Você deve escolher um objeto pelo qual você tenha interesse, pelo qual você possua amor. Teístas geralmente tentam concentra-se em uma imagem externa ou símbolo de Deus. Você pode manter um retrato do Senhor Krishna ou Jesus Cristo à sua frente, olhar fixamente para a figura com olhos abertos. Onde os olhos estão lá também está a mente. Você não está olhando meramente para uma pintura, mas um símbolo de uma personalidade viva.

Então, quando olhar fixamente para a figura de Cristo ou Krishna, você imediatamente sente em sua mente as qualidades com as quais estas personalidades eram dotadas.

Após olhar fixamente a figura por três ou quatro minutos, feche seus olhos e mentalmente imagine a figura. Concentre-se na forma que você viu. Continue esta concentração interna por tanto tempo quanto sua mente não se perturbar. Se, após alguns minutos de meditação com olhos fechados, você sentir que a mente está divagando , então novamente abra os olhos e olhe a figura. Depois, novamente, olhando fixamente para a figura por alguns minutos, feche os olhos e novamente habitue a mente com a meditação interna.

Pratique este processo por alguns meses até que você possa se concentrar sem a figura. Quando você puder se concentrar, meramente com fechar dos olhos, na forma do retrato, sem o suporte externo de uma figura pintada, você atingiu o primeiro sucesso na meditação.

Sinta que esta figura interna não está meramente em um lugar, mas em todos os lugares. Quando começar a sentir uma presença uniforme em todos os lugares, a mente cessa todas as distrações. O outro método de trazer esta harmonia de percepção mental é pensar no espaço vazio. Visto que o espaço está em todos os lugares, você tenta concentrar-se em todas as direções ao mesmo tempo. Você também pode concentrar-se na luz do sol permeando todo o espaço. Ou você pode concentrar-se no vasto oceano que está em todos os lugares. Você pode olhar fixamente para a chama de uma vela ou um ponto na parede.

Quando novamente você obter sucesso nisto, você pode usar seu objeto de concentração; você terá tal maestria sobre a mente que poderá se concentrar em qualquer objeto. O propósito desta concentração é fazer a mente pensar em somente uma coisa, e não pensar em nada mais. Logo, no final das contas, não tem muita importância qual o objeto você escolher para se concentrar se o propósito é servido, ex. pensar somente naquela coisa e nada mais.

Quando você estiver acostumado com esta meditação externa, você pode voltar-se para a meditação interna.

B. Concentração em pontos internos:

Meditação interna significa concentração em certos centros (Chakras) do corpo. Os Chakras mais importantes e mais favoráveis (para iniciantes) na meditação são o entre as sobrancelhas, e o Chakra no coração.

No estado de vigília, a mente funciona no cérebro, no estado de sonho ela funciona perto da garganta, e no estado de sono profundo ela vai para o coração. Então, o propósito ultimo da meditação interna é trazer a mente para o coração. Isto é feito em três estágios: a mente vem do objeto externo para a cabeça (ex. Ponto entre as sobrancelhas), então a mente vai para o coração. A meditação no ponto entre as sobrancelhas ocorre em dois estágios: (1) Olhar fixamente com olhos abertos para o ponto entre as sobrancelhas, e (2) fechar os olhos e pensar somente no ponto (como um ponto de luz). Aos poucos, você começará a sentir que a mente desce da cabeça através da garganta para o coração. Quando você fizer isto, você irá cair no sono se você for descuidado. Você deve fazer isto com cuidado e vigilante; de outro modo você vai dormir e se enganar pensando que estava meditando.

O outro método de meditação interna é meditar diretamente no coração. Você pode imaginar um lótus desabrochando no coração, ou a luz do sol nascente no coração. A melhor forma de meditação no coração é sentir como se a consciência estivesse assentada ali. Deste ponto interno de meditação na consciência no coração, você pode aos poucos proceder para a universal.

C. Concentração no Universal:

Assim como existe Consciência em seu coração, existe no coração de todo mundo. Tente meditar nesta Consciência como presente em todos os lugares, em todas as coisas (externas e internas) uniformemente. Esta é a forma absoluta de meditação, ex.: o Supremo Estado.

Para ajudar atingir este Estado Universal de Meditação, você pode entoar OM (pranava) de forma metódica. Existem três maneiras de entoar OM: (1) Curta – cerca de um segundo, ex.: 30 em 30 segundos; (2) Média – cerca de cinco segundos, ex.: seis cantos em 30 segundos; (3) Longa – cada canto dura 15 segundos, ex.: dois cantos em 30 segundos.

O processo longo é a melhor maneira de cantar. Ele faz as células do corpo diminuir o rítimo de suas atividades; o sistema nervoso torna-se calmo. Você não necessita tomar tranqüilizantes. Se você estiver perturbado, cante a maneira longa por quinze minutos. Todo o sistema vai se tornar calmo e sossegado. Quando você cantar desta forma, sinta que você está se expandindo aos poucos no Cosmos.

OM não é meramente um som que nós produzimos, mas um símbolo da Vibração Universal. Esta é realmente a Vibração que foi feita no início da criação do mundo. Esta Vibração Universal (da criação) é a força controladora por trás de tudo no mundo. Então, quando você entoa OM e cria esta Vibração no seu sistema, você se sintoniza com a Vibração do Cosmos. As Forças do Universo começam a entrar em seu corpo; você se sente forte e enérgico; sua fome e sede vão diminuir; você sentirá felicidade absoluta mesmo que não possua nada (ex.: sem posses materiais) e esteja absolutamente sozinho, desconhecido e não visto pelas pessoas. Você não terá desejo por qualquer coisa no mundo, porque você terá se tornado uno com todas as coisas.

Quando você se torna amigo das Forças Universais, então o mundo tomará conta de você em tempos de dificuldades e você não terá medo vindo de lugar algum. Então você se tornou um Santo ou um Sadu. Neste estado, se você tiver algum desejo, ele será imediatamente satisfeito, porque você se tornou o amigo de todas as Forças no mundo. Neste estado de Êxtase ou Bemaventurança, grandes Santos cantam e dançam (porque eles possuem tudo no mundo). É aqui que você irá compreender que você é uma Criança de Deus. O próprio Deus irá perpetuamente tomar conta de você e você nada temerá, assim como o filho do Rei nada teme, pois o Rei o protege sempre e em todos os lugares do reino.

Práticas para o dia-a-dia

Isto é quase um esboço completo das práticas essenciais do Yoga. Mas, quando você efetivamente começar a praticá-las, você encontrará muitas dificuldades. Então, você deve ser muito honesto em sua busca. Swami Sivananda nos ensina que Sadhana (prática espiritual) possui três pontas, como a Trisula (tridente):

1. Uma rotina Diária de Práticas: Tenha um procedimento fixo de práticas todos os dias. Deve-se estabelecer horários fixos e disciplinar sua personalidade. Na rotina diária, três itens são muito importantes: (a) JAPA – cantar um Mantra repetidamente para manter a mesma consciência (isto é geralmente útil quando a meditação está difícil); (b) ESTUDO – ler escrituras e textos sobre Yoga, ex.: Upanishads, Bhagavadgita, O Sermão da Montanha, A Imitação de Cristo; (c) MEDITAÇÃO – deve ser feita em um horário e local determinado todos os dias (você não deve mudar de lugar); volte-se para a mesma direção diariamente (Leste ou Norte) e sente-se na mesma postura (Asana) todos os dias.

2. Resolução Anual: Votos para abandonar maus hábitos como machucar ou magoar os outros, mentira e incontinência; estes três devem ser abandonados (aos poucos) em estágios. Ahimsa (Não-violência), Satya (Verdade), Brahmacharya (Continência) devem ser praticados. Se você quebrar esta resolução, você deve jejuar por um dia. Por causa do medo do jejum, você será cuidadoso e não quebrará o voto.

3. Um Diário Espiritual: Quando você for para a cama todas as noites, você deve refletir sobre o que fez desde a manhã. Este diário deve consistir de perguntas que você deve fazer a você mesmo, ex.: “Quantas vezes eu esqueci Deus hoje?” “Eu fiquei com raiva hoje?”etc. Com estes métodos você pode começar uma Sadhana, ou prática do Yoga, séria. E quando seus esforços forem observados com sinceridade do propósito, você alcançará o sucesso nesta mesma vida.”

"Toda a filosofia está baseada na premissa de que pensamos,
mas é igualmente possível que estejamos sendo pensados".
F. Nietzsche.

OM Namastê Om!!!

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Tradução em Português

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