- Ano I - nº 8 - Julho de 2007.                                                                              Direção: Osiris Costeira

YOGA - Sri Ananda Deha.

Pranayama.

Namastê!!

Antes de conhecermos um dos requisitos mais vitais da vida, a arte de saber como respirar corretamente, vale a pena ressaltar que as etapas abordadas nesta seqüência de artigos (as oita partes do Ashtanga Yoga de Patañjali) não são etapas no sentido como conhecemos. Na verdade, são etapas interarticuladas e interarticulantes, ou seja, estão em total conexão e se influenciam mutuamente. Por exemplo, se um iogue se desenvolve bem em uma das oito partes ele terá uma maior propensão para evoluir em uma outra qualquer. E assim vamos evoluindo e crescendo internamente, espirutualmente.

A palavra “Prana” é tão importante quanto a palavra Yoga. São palavras que não possuem um único significado, assim como muitas outras palavras (Signos) do vocabulário da Índia antiga. Na visão do professor Iyengar “Prana” pode siginificar fôlego, respiração, vida, vitalidade, vento, energia, ou força; e “Ayama” significa comprimento, expansão, distenção ou limitação. Pranayama denota, portanto, a extensão da respiração e seu controle. Esse controle é exercido sobre todas as funções da respiração, que são: inalação (“puraka”), exalação (“rechaka”) e retenção (“kumbhaka”). Há dois estados de “kumbhaka”, a retenção após a inalação (pulmões totalmente cheios com o ar que dá a vida) e a retenção após a exalação (pulmões vazios de todo o ar nocivo).

Pranayama, portanto, é a ciência da respiração. É o eixo em torno do qual gira a roda da vida. “Assim como os leões, os elefantes e os tigres são domados lenta e cautelosamente, o ”Prana” deve ser controlado muito lentamente, em gradação proporcional à capacidade e às limitações físicas de cada um. De outro modo, isso matará o praticante”. (Hatha-Yoga Pradipika).

De acordo com B. K. S. Iyengar, a vida do iogue não é medida pelo número de seus dias, mas pelo número de suas respirações. Portanto, ele segue os padrões rítmicos apropriados de respiração lenta e profunda. Esses padrões rítmicos reforçam o sistema respiratório, acalmam o sistema nervoso e reduzem os desejos. Com a diminuição dos desejos e dos impulsos, a mente fica livre e torna-se um veículo apropriado à concentração.

O “chitta” (mente, razão e ego) é como uma carroça puxada por fortes cavalos. Um deles é Prana (respiração) o outro é Vasana (desejo). A carroça move-se na direção do animal mais forte. Se a respiração prevalece, os desejos são controlados, os sentidos são limitados e a mente é acalmada. Se o desejo prevalece, a respiração se desorganiza e a mente fica agitada e perturbada.

A excitação emocional afeta o nível respiratório, igualmente o controle consciente da respiração evita a excitação emocional. Como o objetivo do Yoga é controlar e tranqüilizar a mente, o iogue primeiro aprende o Pranayama, para controlar a respiração. Isso o capacitará a controlar os sentidos e atingir o estágio de Pratyahara. Só então a mente estará pronta para a concentração (Dharana) e meditação (Dhiana).

Se pararmos para perceber como as pessoas respiram, constataremos que a maioria não sabe respirar corretamente, muito menos de maneira completa. O que nós podemos observar é que essa maioria respira só com a parte peitoral ou superior do pulmão de maneira afoita, curta e rasa, desperdiçando 2/3 da nossa capacidade respiratória. Na realidade nossa respiração deveria ser longa e profunda para que pudéssemos energizar e alimentar o nosso corpo.

Vamos aprender como fazer a respiração abdominal e a completa ou iôguica. Ela é bem simples e nos ajudará muito na qualidade de vida diária. Antes de praticar qualquer tipo de Pranayama procure um professor qualificado para guiar-lhe com total segurança.

Começaremos pela respiração abdominal, que pode ser chamada também de respiração do recém-nascido, a qual esquecemos com o tempo. Deite-se de costas com os joelhos flexionados e os pés apoiados no chão. Esvazie completamente os pulmões e comece a inspirar levando o ar para o abdômen, projetando-o para cima. O peito permanece vazio, sem se mover. Faça uma pequena pausa com os pulmões cheios. Agora, esvazie os pulmões puxando o abdômen para dentro. Conforme a figura a seguir:

       

Quando você se sentir mais tranqüilo e tiver praticado bastante esta respiração inicial, expanda sua respiração deixando que o ar entre suavemente na região das costelas e peito. Observe o ar entrando suavemente pelas narinas e expandindo uma cavidade de cada vez, mas de maneira contínua. Primeiro o abdômen, depois as costelas e por último o peito. Em seguida, solte o ar naturalmente esvaziando de cima para baixo, ou seja, primeiro o peito, depois as costelas e por último o abdômen. Esta é chamada de respiração completa. Ela vai oxigenar o cérebro, tranqüilizar emoções e pensamentos e, quando praticada à noite, auxilia a dormir com mais facilidade e descansar mais durante o sono.

Estas são simples técnicas que transformam nossas vidas rapidamente e definitivamente, aumentando a qualidade de vida de maneira inesperada. Experimentem, sintam e descubram esta fonte maravilhosa de energia prânica, o elixir da longa vida! Até o próximo encontro.

Svabhavo vijayati iti shauryam.

(O verdadeiro heroísmo está em conquistar sua própria natureza.)

Mahabharata (grande épico da Índia)

Hari Om Tat Sat!

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