- Ano II - nº 7(19) - Julho/Agosto de 2008.                                                              Direção: Osiris Costeira

YOGA - Sri Ananda Deha.

Jesus Cristo e Yoga.

“O Sermão da Montanha” segundo a Filosofia Hindu (Vedanta). - 2º parte (Final)

Saudações positivas e amorosas a todos os leitores!!!

Como combinado, irei dar continuidade ao artigo anterior onde iniciei a aproximação entre a Sabedoria de Cristo de Nazaré e o Vedanta, nas palavras de Swami Prabhavananda.

“Sede, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”.

Se verificarmos os verdadeiros fundadores das grandes religiões do mundo, descobriremos que eles expressaram uma única verdade: “capacitem-se de que Deus está aqui e agora!”. Segundo Swami Prabhavananda (1993), “O grande obstáculo no caminho da percepção de Deus é a preguiça e a falta de entusiasmo da humanidade. Buda chamava a procrastinação na batalha pela iluminação de o maior pecado. E Cristo expressou a mesma idéia ao dizer: Todo homem que, tendo posto a mão no arado, olhar para trás não está preparado para o reino de Deus.”

Segundo Swami Prabhavananda (1993), “existem vários métodos pelos quais se pode alcançar a perfeição em Deus. Alcançada esta, cada aspecto do ser aspirante ilumina-se. Mas é natural que esses métodos ou caminhos da perfeição focalizem certas tendências do caráter humano, pois é evidente que algumas pessoas são intelectivas ou emotivas, outras ativas ou contemplativas, e que suas práticas espirituais reflitam seus caracteres. No Vedanta, reconhecem-se quatro caminhos principais para a obtenção da união com Deus. Esses caminhos, ou iogas, são úteis para iluminar a via da perfeição, conforme foi ensinada por Jesus.”

No Karma Yoga, o caminho do trabalho abnegado, cada ação é oferecida a Deus como um sacramento. Dedicando os frutos de seu trabalho a Deus, o aspirante à espiritualidade alcança finalmente a pureza de coração e obtém a união com Deus. O Jñana Yoga é o caminho da discriminação entre o eterno e o não-eterno. Quando, pelo processo de eliminação, todos os fenômenos transitórios tiverem sido analisados e depois rejeitados, permanece apenas Brahman (a Realidade Suprema), e o aspirante da espiritualidade concretiza, através da meditação, sua união com o aspecto impessoal da Divindade. O Bhakti Yoga é o caminho da devoção. Neste caminho, o adorador mistura seu ego com o ideal escolhido de Deus, cultivando intenso amor por ele como a um ente pessoal. A maioria dos crentes de todas as grandes religiões do mundo segue o Bhakti Yoga. O Raja Yoga é o caminho da meditação formal. Trata-se de um método de concentração da mente unicamente na Realidade Suprema, até que se alcance a absorção completa. Este caminho pode ser trilhado com exclusividade, e, não raro, por aqueles que seguem de preferência a vida contemplativa (Swami Prabhavananda, 1993).

Em certo sentido, pode-se dizer que a Raja Yoga combina os outros três caminhos, uma vez que a meditação pode incluir a ação dedicada a Deus, a adoração, o discernimento e a concentração sobre o Ideal Escolhido. Embora uma vida espiritual equilibrada exija a combinação harmoniosa dos quatro Yogas, um ou outro normalmente predomina, dependendo do temperamento do aspirante (Swami Prabhavananda, 1993).

De acordo com o mesmo autor, “entre os ensinamentos de Jesus, há muitos que se podem classificar de acordo com um ou outro dos Yogas. Por exemplo, quando Jesus disse: ‘Sempre que fizerdes ao menor destes meus irmãos, estareis fazendo a Mim’, estava ensinando, no espírito do Karma Yoga, a adoração de Deus através da prestação de serviço do homem.” (Swami Prabhavananda, 1993).

“A distinção entre o real e o irreal e a renúncia do irreal constituem a essência do Jñana Yoga. Não raro Jesus pregava o discernimento e a renúncia. Por exemplo: ‘...acumulai tesouros nos céus, onde nem a traça nem a ferrugem podem corroê-los, e onde os ladrões não arrombam nem furtam.’ E, ‘Não podeis servir a Deus e às riquezas’.” (Swami Prabhavananda, 1993).

“As etapas preliminares do Raja Yoga, a via da meditação, compreendem a abstenção da ofensa aos outros, da falsidade, do roubo, da incontinência e da gula, e a observação da pureza e da devoção a Deus. A prática dessas disciplinas ajuda a tornar possível a concentração da mente num único ponto, a meditação e a absorção em Deus. Jesus insistia na prática dessas mesmas disciplinas. E ele próprio gastava boa parte do tempo na meditação e na absorção, recolhendo-se freqüentemente em solidão para esse fim.” (Swami Prabhavananda, 1993).

De todos os caminhos para a união com Deus, Jesus deu ênfase especial ao caminho da devoção, insistindo no primeiro e maior dos mandamentos: “Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, e com toda a tua alma, e com toda a tua mente.” (Swami Prabhavananda, 1993).

“Os ensinamentos de Jesus sobre a devoção – como os de outros avatares – vão desde afirmações em que ele considera a si mesmo como um dualista, um devoto de Deus, até afirmações em que atesta sua identidade com a Divindade. Na primeira cláusula do Pai-nosso, Jesus não se descreve diretamente como Deus, mas fala de si como o outro, ensinando-nos a adorar a Deus como nosso Pai que está nos céus. Em inúmeras passagens do Evangelho segundo São João, Jesus faz questão de dizer que o amor pelo Filho traz-nos o amor do Pai: ‘Se alguém me ama, guardará minhas palavras – e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele habitaremos’. ‘Pois o próprio Pai vos ama porque vós me amastes e crestes que eu vim de Deus’. Noutras passagens, Jesus declarou de forma inequívoca sua identidade com o Pai: ‘Eu e meu Pai somos um’. ‘Quem viu a mim, viu ao Pai...’. Esta identidade decorre de ensinamentos sobre a devoção, como estes: ‘Permanecei em mim e eu em vós. Como o ramo não pode produzir frutos por si mesmo, exceto se estiver unido à vinha, assim também não podeis vós, se não permanecerdes em mim’. ‘Vinde a mim todos vós que labutais e estais sobrecarregados, e eu vos aliviarei’.” (Swami Prabhavananda, 1993)

Muitos mestres espirituais insistiram na prática da devoção, por ser a via mais fácil da manifestação de Deus. Nesta via, a renúncia do aspirante é absolutamente natural: ele não precisa suprimir uma única de suas emoções – deve apenas empenhar-se em intensificá-las e em dirigi-las a Deus (Swami Prabhavananda, 1993).

Existe no coração do homem o desejo de amar e de ser amado, de querer a afeição de um pai, de uma mãe, de um amigo, de uma namorada. A maioria de nós, porém, não reconhece que esse desejo é na verdade uma busca de Deus, disfarçada de outras coisas. Em última instância, sentimo-nos frustrados e sós em nossas relações humanas, porque o amor que conhecemos e exprimimos no plano humano não passa de reflexo imperfeito da “coisa verdadeira”. Dizem-nos os Upanishads: “Não é por causa da esposa em si mesma que a esposa é querida, mas por causa do Eu. Não é por causa do marido em si mesmo que o marido é querido, mas por causa do Eu. Não é por causa dos filhos em si mesmos que os filhos são queridos, mas por causa do Eu. Não é por causa de si mesmo que algo é querido, mas por causa do Eu” (Swami Prabhavananda, 1993).

“O amor de Deus nos atrai, mas nós o interpretamos mal. Interpretá-lo corretamente, chegar à realização do desejo por amor – somente é possível quando voltamos nosso amor a Deus, que é o próprio amor” (Swami Prabhavananda, 1993). Om Tat Sat Namastê!!!

“Eu sou a luz do mundo, quem me segue não caminhará na escuridão, mas terá a luz da vida.” (Jesus de Nazaré)

“Descarrega todas as dúvidas em mim, teu refúgio. Não tenhas mais medo, porque eu te salvarei do pecado e da escravidão.” (Sri Krishna)

“Eu sou o santuário. Dá-me o poder de procuração, eu te aliviarei de todas as cadeias do Karma.” (Sri Ramakrishna)

Referência bibliográfica:

Swami Prabhavananda, 1993. O Sermão da Montanha segundo o Vedanta. Tradução de Cláudio Giordano, Editora Pensamento, SP. 133 p. Este e o próximo artigo foram baseados no IV capítulo do livro supracitado: IV. Sede, pois, Perfeitos.

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