- Ano I - nº 10 - Setembro de 2007.                                                                           Direção: Osiris Costeira

YOGA - Sri Ananda Deha.

Prathyáhára.

Hari Om!!

“Se a razão de um homem sucumbe ao impulso de seus sentidos, ele está perdido. Por outro lado, havendo controle rítmico da respiração, os sentidos, em vez de correrem atrás de objetos externos de desejo, voltam-se para o interior do homem e ele fica livre de sua tirania” (B.K.S. Iyengar). Esta é a quinta parte do Yoga de Patanjali, chamada de Pratiahara (usarei a grafia mais simples), onde os sentidos são controlados.

Pratiahara é uma palavra masculina que significa abstração, retração dos sentidos, faculdade de liberar a atividade sensorial do domínio dos objetos exteriores. “Quando os sentidos já não estão em contato com seus próprios objetos e assumem a natureza da consciência, isto é Pratiahara. Assim obtém-se a total subjugação dos sentidos” (Yoga Sutras, cap. II:54 e 55).

O termo Pratiahara está formado por duas palavras sânscritas, prati e ahára. Ahára significa comida ou algo que você coloca para dentro. Prati é uma preposição que significa contra ou fora. Pratiahara significa então controle do ahára, ou ter controle do alimento, ou seja, daquilo que permitimos que entre na mente através dos sentidos. Podemos utilizar a metáfora de uma tartaruga, pois ela recolhe seus membros sob o casco, da mesma forma o iogue retrai os sentidos da influência dos objetos externos.

Silenciar a mente, ficar imóvel, estar vazio de sentimentos e necessidades, ir além dos sentidos. Isso é Pratiahara. Entretanto a mente é o maior obstáculo para o iogue. Ela é para a humanidade causa de servidão e liberdade, traz a servidão se está vinculada aos objetos do desejo e liberdade quando está livre desses objetos. Há servidão quando a mente anseia, cobiça, ou está infeliz com alguma coisa. Em contrapartida, ela torna-se pura quando todos os temores e desejos são aniquilados.

O bom e o agradável se apresentam às pessoas, predispondo-as à ação. O iogue prefere o bom ao agradável. Outros, impulsionados por seus desejos, preferem o agradável ao bom e perdem o propósito real da vida. O iogue sente-se feliz por ser o que é. Sabe como parar e, portanto, vive em paz. De início, prefere o que é amargo como veneno, mas persevera em sua prática, sabendo que no final isso se tornará doce como néctar. Outros, ansiando pela união de seus sentidos com os objetos de seus desejos, preferem o que de início é doce como néctar, mas não sabem que, ao fim, isso se tornará amargo como veneno.

A mente é também o maior obstáculo para a meditação. Entretanto, antes de começar a trabalhar nela, é necessário aprender a por os sentidos sob controle. Desde o dia do nascimento o homem está continuamente sendo bombardeado por impressões, imagens, sons e sensações. Essas experiências alimentam o pensamento e nos arrastam para a experiência externa. Vivemos voltados para fora. Pratiahara serve para desvincular-nos dessa invasão das coisas do mundo exterior. Sem Pratiahara fica difícil alcançar a meditação (Dhyana).

Imagine que sua mente seja o oceano, os pensamentos e sentimentos são ondas que agitam as águas. Se você apenas observa essas ondas, sem se deixar envolver pela tristeza ou alegria, pela ansiedade ou pela raiva, por nenhuma emoção que surja das profundezas desse oceano, as águas se acalmam. As ondas vão diminuindo de tamanho e freqüência e o mar vai sossegando. Quando o iogue atinge Pratiahara, não experimenta inquietação no calor ou no frio, na dor ou no prazer, na honra ou na desonra, na virtude ou no vício. Trata os dois impostores, o triunfo e o fracasso, com equanimidade, ele emancipou-se desses pares de opostos.

Sem entender Pratiahara, não pode haver progresso na prática, pois cada uma das técnicas do Yoga precisa dominar-se para poder transcender-se. Sem Pratiahara não pode haver Yoga. Pratiahara como quinto estágio do Yoga de Patanjali, ocupa um lugar central. Ele é a chave para a relação entre o aspecto externo do yoga (Yama, Niyama, Ásana e Pránáyáma) e o interno (Dhárana, Dhyána e Samádhi). Pratiahara nos ensina a nos mover entre essas duas esferas. É praticamente impossível ir diretamente do asana para a meditação. Isso significa saltar do corpo para a mente, esquecendo o que tem no meio. Para fazer essa transição, a respiração e os sentidos, que ligam o corpo e a mente, primeiramente precisam ser devidamente desenvolvidos e controlados.

Vários exercícios podem auxiliar o iogue a atingir Pratiahara. São basicamente todos aqueles que treinam a concentração (Dhárana), a começar por pranayamas e asanas. A prática disciplinada dos exercícios respiratórios e das posturas físicas do Yoga é uma poderosa ferramenta para o aquietamento progressivo das ondas mentais. Com a evolução, o iogue passa a permanecer na postura totalmente absorto, esquecendo-se dos sentidos. Para isso, é preciso tirar a atenção do corpo e do mundo exterior durante a prática, e levá-la para dentro, em direção ao âmago do ser. Nesse momento a mente se aquieta, se dissolve e o praticante começa a seduzir seu espírito, seu verdadeiro Eu (Atman). O corpo e a mente perdem sua identidade e a consciência desabrocha em sua Totalidade.

Aqui começa o verdadeiro Yoga. Pratiahara é o passo fundamental em direção à união com o divino que existe dentro de cada ser humano. Por isso é tão necessário praticar Yoga em silêncio, adotando uma atitude de introspecção, que a cada dia torne mais profundo o mergulho interior. Bom Mergulho!

“...Quando um homem se torna perfeito em Yoga, ele conhece sua verdade dentro de seu coração. O homem de fé, cujo coração é devotado, cujos sentidos são dominados, ele encontra Brahman. Iluminado, ele passa imediatamente para o mais elevado, a paz que está além da paixão. O ignorante, o sem fé, o que duvida, caminha para sua destruição. Como vai ele apreciar este mundo, ou o próximo, ou qualquer felicidade? Quando um homem pode agir sem desejo, através da prática do Yoga, quando suas dúvidas são desfeitas em farrapos, quando ele conhece Brahman, quando seu coração está equilibrado no ser do Atman, nenhum vínculo pode prendê-lo...”

Bhagavad Gita (parte integrante do Mahabharata, grande poema épico da Índia)

Om Shanti Om!

Obras consultadas:

- Bhagavad Gita,

- A Luz do Yoga (B.K.S. Iyengar),

- Yoga Sutras,

- Anotações pessoais.

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