- Ano I - nº 12 - Novembro e Dezembro de 2007.                                                Direção: Osiris Costeira

YOGA - Sri Ananda Deha.

Yoga, Ecologia e Educação.

Participação Especial: Hari Har (Bióloga e Kundalini ioguine) e Gabriel de Moraes (Filósofo)

Namastê!! Hari Om!!

Neste artigo gostaria de pedir licença a nossos leitores, pois gostaria de refletir sobre um assunto muito delicado e complexo. A “crise” ambiental (Ecológica e Educacional) que está marcando definitivamente o início deste século. Neste contexto, penso que a ciência do Yoga pode ser de extrema importância, pois tem a capacidade de ir de encontro à raiz deste problema.

A “Crise” dos E’s: Ecologia e Educação.

Apenas para fins ilustrativos, 15 milhões de pessoas (em sua maioria crianças) morrem anualmente de fome; outros 500 milhões estão gravemente subnutridos; cerca de 40% da população mundial não tem acesso a serviços profissionais de saúde; entretanto, os países em desenvolvimento gastam três vezes mais em armamento do que em assistência à saúde da população; 35% da humanidade carece de água potável, enquanto metade de seus cientistas e engenheiros dedica-se à tecnologia da fabricação de armas; sem se falar na ampliação do arsenal e da energia nuclear [1].

Temos taxas elevadas de inflação e desemprego, temos uma crise energética, uma crise na assistência à saúde, poluição e outros desastres ambientais, uma onda crescente de violência e crimes e suas diversas conseqüências. A idéia defendida por este presente artigo é de que “tudo isso são facetas diferentes de uma só crise, que é, essencialmente, uma crise de percepção” [1], “ela deriva do fato de estarmos tentando aplicar os conceitos de uma visão de mundo obsoleta – a visão de mundo mecanicista da ciência cartesiana-newtoniana – a uma realidade que já não pode ser entendida em função desses conceitos” [1]. “Para descrever esse mundo apropriadamente, necessitamos de uma perspectiva ecológica que a visão de mundo cartesiana não nos oferece” [1].

Esta profunda crise mundial se intensificou nas últimas décadas do século XX. Ela é complexa e multidimensional, cujas facetas afetam todos os aspectos de nossa vida: a saúde e o modo de vida, a qualidade ambiental e das relações sociais, da economia, tecnologia e política [1]. “É uma crise de dimensões intelectuais, morais e espirituais; uma crise de escala e premência sem precedentes em toda a história da humanidade. Pela primeira vez, temos que nos defrontar com a real ameaça de extinção da raça humana e de toda a vida no planeta” [1].

“A civilização humana reduziu a cultura a favor da tecnologia; a cultura respeita a natureza integral, ao passo que a tecnologia considera o homem como uma máquina, um robô, um computador vivo, cujo imperativo categórico é apenas o seu ego físico-mental-emocional. E como os governos aceitam o que lhes é oferecido pelos técnicos, pelos cientistas e pelos psicólogos, tivemos os descalabros da tecnologia aplicados a problemas de educação” [4].

“Fomos todos preparados pela educação e o ambiente para a busca de proventos e segurança pessoal, para lutarmos em nosso próprio interesse. Embora costumemos dissimulá-lo com frases amenas, fomos educados para várias profissões dentro de um sistema que se funda na exploração e no temor com sua concomitante avidez.” [2]. “A educação moderna redundou em completo malogro, por ter exagerado a importância da técnica. Encarecendo-se em demasia, destruímos o homem. Desenvolvendo capacidades e eficiência, sem a compreensão da vida, sem uma percepção total dos movimentos da mente e do desejo, tornar-nos-emos cada vez mais cruéis, e isso significa fomentar guerras e pôr em perigo nossa segurança física” [2]. “Em outras palavras, a crise ecológica é, em todos os sentidos, uma crise da educação” [3].

Integrando os Saberes.

Fazendo um paralelo entre a filosofia hindu e a Natureza, podemos imaginar que o Sol representa Brahma (Deus da Criação), os elementos que se encontram sobre a terra representam Vishnu (Deus da Preservação) e que a terra representa Shiva (Deus da Destruição). Ainda nesta mesma linha de raciocínio, podemos dizer então que o Universo seria Brahmam (O Imanifesto, O Infinito ou Deus na concepção hindu). O Sol como fonte de energia, propicia a Vida em nosso planeta. A fauna, a flora, os rios e os ciclos da Natureza, em equilíbrio, preservam a Vida. A terra absorve, decompõe e redisponibiliza os nutrientes para os seres vivos. E o Universo, é o espaço infinito onde tudo se desenvolve.

Esta analogia, antes de mais nada, serve para nos aproximarmos mais da Natureza (Letra maiúscula pois está representando todos os elementos citados). Refletindo sobre isso, podemos nos aproximar mais de nossos ancestrais que no passado conferiam o devido valor aos elementos da Natureza. Respeitando-os, valorizando-os e compreendendo-os eles viviam em harmonia, pois se sentiam fazendo parte de todo este Sistema, em igualdade de importância na Teia da Vida.

Quando nos voltamos para dentro de nós mesmos, em busca de auto-conhecimento, percebemos que todos os elementos da Natureza são interligados e interdependentes, cada um tendo sua importância e sua função na intrincada Rede de interações. Ao sentirmos e experienciarmos esta sutil nuance, automaticamente modificamos nossa forma de ver e se relacionar com o mundo. Esta mudança de percepção irá, definitivamente, contribuir com a transformação que já se encontra em curso neste momento transicional (Momento de Shiva).

Precisamos, então, de um novo “paradigma”. Paradigma (do grego paradeigma) este como sendo uma nova visão da realidade, que possibilite uma mudança fundamental em nossos pensamentos, percepções e valores. Os sinais dessa mudança já são notados em diversos campos e áreas do conhecimento. A questão principal é que a maioria desses movimentos ainda opera separadamente, eles ainda não perceberam que suas intenções se inter-relacionam. “Assim que isso acontecer, podemos esperar que os vários movimentos fluam juntos e formem uma poderosa força de mudança social. A gravidade e a extensão global de nossa crise atual indicam que essa mudança é suscetível de resultar numa transformação de dimensões sem precedentes, um momento decisivo para o planeta como um todo” [1].

Quer falemos de câncer, criminalidade, poluição, energia nuclear, inflação ou escassez de energia, a dinâmica subjacente a esses problemas é a mesma, são apenas facetas diferentes de uma só crise.

Esses problemas são de natureza sistêmica, o que significa dizer que estes estão intimamente interligados e são interdependentes. “Não podem ser entendidos no âmbito da metodologia fragmentada que é característica de nossas disciplinas acadêmicas e de nossos organismos governamentais” [1]. Esta abordagem fragmentada não resolverá nenhuma de nossas dificuldades, “limitar-se-á a transferi-las de um lugar para outro na complexa rede de relações sociais e ecológicas” [1]. Somente através de profundas transformações em nossas instituições sociais, em nossos valores e idéias é que conseguiremos mudar o destino da sociedade. Em outras palavras, “os sistemas, quer educativos, quer políticos, não se transformam miraculosamente; só se modificam quando há em nós uma transformação fundamental” [2].

“Ao término de um período de decadência sobrevém o ponto de mutação. A luz poderosa que fora banida ressurge. Há movimento, mas este não é gerado pela força... O movimento é natural, surge espontaneamente. Por essa razão, a transformação do antigo torna-se fácil. O velho é descartado, e o novo é introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano.” ( I Ching )

OM Paz Paz Paz!!!

Referências bibliográficas:

[1] CAPRA, F. 1993. O Ponto de Mutação: A Ciência, a Sociedade e a Cultura emergente. Tradução Álvaro Cabral. Editora Cultrix, São Paulo, 447 p.

[2] KRISHNAMURTI, J. 1994. A Educação e o Sentido da Vida. Tradução Hugo Veloso. Editora Cultrix, São Paulo, 129 p.

[3] ORR, D.W. 2006. Prólogo. In: Michael K. Stone & Zenobia Barlow (orgs). 2006. Alfabetização Ecológica: A educação das crianças para um mundo sustentável. Tradução Carmen Fischer. Editora Cultrix, São Paulo, p. 9-11.

[4] ROHDEN, H. 2005. Educação do Homem Integral. Editora Martin Claret, São Paulo, 140 p.

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